Lula desafia países ao debate do aumento do preço do petróleo

Em encontro com empresários peruanos, presidente desqualifica críticas à produção de biodiesel

Leonêncio Nossa, Enviado Especial,

17 de maio de 2008 | 16h06

Em encontro com empresários brasileiros e peruanos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desqualificou as críticas de ambientalistas à produção de biodiesel e desafiou os países a debaterem também o avanço do preço do petróleo no mercado internacional. Para o presidente, o petróleo é tratado como "vaca sagrada".  "Agora, somos responsáveis pela subida do preço dos alimentos, mas ninguém fala do preço do petróleo. É como se o petróleo fosse a vaca sagrada e não há uma única crítica no mundo", disse o presidente. Lula relatou que durante encontro com chefes de Estados europeus não ouviu comentários sobre a elevação do preço do petróleo. "Ninguém quer discutir o preço do petróleo que influencia no preço dos fertilizantes e no preço da comida. Eles culpam o biodiesel, mas o biodiesel ainda não está sendo produzido (em larga escala)", disse. Ao criticar os subsídios europeus, o presidente assegurou que o Brasil vai produzir mais alimentos. "Estamos sendo provocados a produzir mais alimentos e vamos fazer. O problema é quem em três décadas e Europa pagava para os seu produtores não produzirem e colocava subsídios para nossos produtores. As novas fontes de energia limpas e renováveis permitiram que o Brasil conseguisse ser auto-suficiente em petróleo e gerar emprego na cidade e campo sem comprometer a segurança alimentar", afirmou.  Lula disse que os ambientalistas, de uma forma geral, não estão preocupados com as pessoas que vivem na Amazônia. "Estamos vendo a preocupação extraordinária em relação à Amazônia. E lá fora se fala que é preciso preservar a Amazônia, mas ninguém quer discutir a qualidade de vida do povo que vive na brasileira, peruana e venezuelana". O presidente destacou que o Brasil quer preservar a região, mas garantindo qualidade de vida para o povo. "Queremos preservar mais do que outro dirigente do mundo a Amazônia, mas também transformar a região em fonte de riqueza para melhorar a vida das pessoas que vivem lá". Maradona Lula também falou sobre a economia brasileira, política e o fator sorte. "O mundo econômico é fantástico. Sempre falam em risco Brasil e com a crise americana não sobe e nem desce o risco deles. É um mundo maravilhoso este", ressaltou. Lula ainda fez um balanço do seu governo e de sua trajetória política: "Diziam que não era possível chegar ao poder pela via direta e havia tanta divergências políticas na América Latina que a única coisa que unificava as correntes ideológicas na Argentina, por exemplo, era o Maradona".  O presidente voltou a afirmar que o preconceito contra ele tem diminuído e, ironizando, disse que todo mundo lhe diz que é um homem de sorte. "E Deus permita que nunca mais o Brasil eleja um presidente que não tenha sorte, porque vai ser a desgraça do País". Lula comentou que o ajuste fiscal feito no início do seu governo só foi possível, porque ele tinha capital político. "Eu troquei todos os aplausos que poderia ter pela certeza que com o ajuste a gente poderia ir para a frente. E deu certo". No discurso, Lula comentou que no seu governo houve crescimento com distribuição de renda. Um cenário, segundo ele, diferente do "milagre econômico" do regime militar. "Diziam que quando o bolo crescesse iriam distribuí-lo, ma comeram o bolo todo e não sobrou nada para nós".

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