Lula: desafio do Mercosul é aceitar diversidade dos países

O grande desafio do Mercosul é aceitar a diversidade entre os países. A avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi feita nesta quinta-feira, durante o Fórum Consultivo de Municípios Estados Federados e Províncias e Departamentos do Mercosul, realizado nesta quinta-feira, um dia antes da Cúpula do Mercosul. O discurso contraria o que deseja o presidente da Argentina, Nestor Kirchner, que é contra o tratamento diferenciado da Bolívia no Mercosul.Segundo ele, o Brasil e a Argentina têm um papel importante no crescimento do Mercosul por serem as duas locomotivas do bloco. "É um desafio gigantesco e vamos precisar de despojamento", disse. "Eu não quero tudo para mim. Eu quero apenas tudo o que preciso. Nós só iremos consolidar a integração no dia que percebermos que, sozinhos, os países das Américas do Sul e Latina não terão como crescer."Durante o discurso, Lula afirmou ainda que os países do bloco precisam ser generosos entre eles e compreender as diferenças e os problemas que cada nação atravessa. Segundo ele, sua tese é a de que os países mais fortes têm que ser "sempre mais generosos e ter políticas para ajudar os países mais pobres". "Assim, a União Européia conseguiu ajudar o desenvolvimento da Espanha e de Portugal e agora outros 15 novos parceiros, para que eles possam se desenvolver", afirmou.Lula disse que acredita que o Brasil ficará numa posição isolada durante a reunião do Mercosul por defender um tratamento diferenciado aos países menores que integram o bloco, como Paraguai e Uruguai. Segundo ele, essa é a vez de o Mercosul seguir a tendência da União Européia.O presidente afirmou não estar preocupado com os discursos dos presidentes Hugo Chávez (Venezuela) e Evo Moraes (Bolívia), que têm causado polêmica em certos meios econômicos e políticos. De acordo com ele, é preciso entender que cada país tem o direito de defender o que quer. O importante é respeitar a soberania de cada nação, afirmou. "Cada um acredita nas coisas que são melhores para o seu país", disse Lula.De acordo com o presidente brasileiro, esses discursos não vão prejudicar a integração do Mercosul, que será discutida na reunião desta semana. "Nós estamos tranqüilos na América do Sul. Já se tem a compreensão hoje de que ou nós crescemos politicamente, amadurecemos rapidamente ou a gente não vai conseguir, neste mandato (dos atuais presidentes de países do Mercosul), atingir a integração", afirmou. Integração SocialLula afirmou que os dados da balança econômica do Mercosul mostram que foi acertada a aposta no desenvolvimento da economia na região. Entretanto, destacou que a integração não pode ser apenas econômica e deve-se incentivar também o lado social. Isso porque, disse, os empresários sabem como driblar as dificuldades. Já os governantes precisam evoluir e entender que não é possível olhar apenas para os seus problemas.O presidente lembrou que os compromissos sociais das lideranças dos países do Mercosul evoluíram muito nos últimos anos, e que hoje a região vive um perfil político diferente. AgilidadeLula defendeu também a criação de instâncias nos Congressos de cada país membro do Mercosul que possam agilizar a implementação de acordos internacionais. Segundo ele, é preciso que nos Congressos esses acordos tenham prioridades nas votações, porque hoje o tempo de tramitação médio destes é de cerca de cinco anos. Isto porque, de acordo com Lula, o projeto precisa seguir todo o trâmite normal. "É preciso criar instâncias especiais para votar projetos especiais de integração", afirmou.Ele lembrou que quando assumiu o governo em seu primeiro mandato recebeu uma ligação do presidente do Senegal, que solicitava um avião para combater a praga de gafanhotos na plantação de milho. Pela demora do Congresso, esse avião só foi disponibilizado seis meses depois, quando a plantação já havia sido afetada. Atualmente, o governo brasileiro tem um pedido de ajuda para a construção de uma termelétrica na África.AgendaAinda hoje, Lula participa de almoço com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, no Hotel Copacabana Palace. Ele irá de helicóptero de São Conrado, onde acontece Fórum Consultivo de Municípios Estados Federados e Províncias e Departamentos do Mercosul, ao Forte de Copacabana, de onde se dirigirá de carro para o hotel Copacabana Palace para se encontrar com Chávez.ProtestosCerca de 60 aposentados do setor aéreo fizeram nesta quinta uma passeata em frente ao hotel Copacabana Palace, zona sul do Rio, onde acontece a Cúpula do Mercosul. De acordo com o ex-Comandante Pedro Mattos, ex-piloto internacional da Varig, o objetivo é chamar a atenção da sociedade e do presidente Lula, para situação dos fundos de pensão Aerus (Varig e Transbrasil) e Aeros (Vasp). Mattos lembra que o Aerus entrou em processo de liquidação em abril do ano passado, quando os aposentados do Plano 1 da Varig passaram a receber apenas 50% de seus benefícios. Já no Plano 2, da mesma aérea, os trabalhadores passaram a receber, 70% do que tem direito.Os aposentados do Plano 1, da Varig, só tem a garantia de receberem seus benefícios até março deste ano. "Vou ter que dilapidar o meu patrimônio", respondeu o ex-Comandante ao ser questionado sobre o que faria após o término do pagamento de sua aposentadoria. Mattos trabalhou durante 25 anos na Varig e está aposentado há 14 anos. com Alberto KomatsuMatéria alterada às 14h43 para acréscimo de informações

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