Lula descarta crise e garante energia até 2012

"Nós vamos descobrir o gás que precisamos descobrir ou vamos comprar o gás que precisamos comprar"

Leonardo Goy e Tânia Monteiro, da Agência Estado,

07 de novembro de 2007 | 13h18

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 7, que "é preciso acreditar que o Brasil não vai ter crise energética. As indústrias vão poder crescer". A afirmação foi feita em solenidade no Palácio do Planalto, na abertura do 5º Encontro Nacional do Programa de Mobilização da Indústria Nacional do Petróleo.   "Esse país tem energia garantida até 2012.  No mês que vem tem leilão (das usinas do Rio) do Madeira. Em janeiro ou fevereiro do ano que vem haverá outro leilão. Nós vamos descobrir o gás que precisamos descobrir ou vamos comprar o gás que precisamos comprar. É preciso acreditar nisso. Somente acreditando vamos ver as coisas acontecerem", disse.   Veja também: Entenda a crise dos combustíveis e o corte de gás Histórico da crise O mercado de gás no Brasil    Segundo Lula não há espaço no País para descrença. "Tem muita gente dando palpite no gerenciamento do governo e nós não damos palpite nos negócios dos outros. Posso assegurar que o governo vai muito bem, o Brasil vai muito bem e está bem gerenciado. É preciso acreditar na indústria nacional. Este país tem solidez", emendou.   De acordo com o presidente, o País pode crescer tanto pelo desempenho do mercado interno quando do mercado externo. E disse que, se fossem em outros momentos do País, a crise no setor imobiliário dos Estados Unidos certamente teria levado todos ministros a viajarem ao exterior para pedir mais dinheiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI). Lula ainda afirmou que o governo não manda na Petrobras, "mas ela é subordinada ao seu acionista majoritário, que é o governo". "E, portanto, ela tem que pensar no Brasil", disse, para justificar determinações do governo para investimento na indústria nacional, citando como exemplo a construção de navios em estaleiros brasileiros e plataformas petrolíferas no País. O presidente ainda defendeu a necessidade de o Brasil ajudar os países que não tem infra-estrutura, como os africanos.   Negociações   Lula tem um encontro marcado com o presidente boliviano Evo Morales no dia 12 de dezembro. Na primeira visita de Lula desde que Morales tomou posse, há 21 meses, eles vão tratar do abastecimento de gás ao Brasil. Mas, antes disso, no sábado, os dois presidentes vão se encontrar em Santiago, no Chile. A conversa é uma prévia do encontro de dezembro.   Os dois presidentes estarão em Santiago para participar da 17ª Cúpula Ibero-americana. "O presidente Lula quer uma reunião com o presidente Evo mais demorada, não apenas uma bilateral de 20 minutos", disse o porta-voz do Palácio do Planalto, Marcelo Baumbach. Lula viaja nesta quinta-feira para Santiago, depois de participar da reunião do Conselho Nacional de Política Energética, no Rio de Janeiro. Ele retorna ao Brasil no início da tarde de sábado.   Ontem, depois de uma reunião de quase quatro horas, na sede da estatal boliviana de petróleo YPBF, em La Paz, o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, declarou que 'uma nova relação está começando' entre os dois países. 'Os contratos foram protocolizados e, agora, neste novo cenário, podemos começar a avaliar novos investimentos para aumentar a produção de gás na Bolívia', disse Gabrielli, que fez ontem sua primeira visita ao País desde a nacionalização boliviana, em maio do ano passado. Sorridente, ao lado do presidente da YPFB, Guillermo Aruquipa, Gabrielli ressaltou os perfis da Bolívia, como produtora de gás, e do Brasil, como consumidor. 'A complementaridade de nossos interesses é muito clara.' Um discurso diametralmente oposto ao adotado na época em as novas regras bolivianas de taxação da produção de petróleo e gás foram anunciadas. Na ocasião, chegou a dizer que a estatal não investiria 'nem mais um tostão' na Bolívia.Gabrielli deu a entender que as bases agora serão outras, ao lembrar que a Petrobrás tem hoje na Bolívia um marco legal, contratos de produção assinados, condições legais definidas. Sem detalhar os novos investimentos negociados, o executivo disse que o aumento da produção de gás não significa que o volume a mais produzido será exclusivamente exportado para o Brasil. Nova reunião vai ocorrer entre 26 e 30 deste mês, em local a ser definido.Participaram ainda da reunião o ministro de Hidrocarbonetos da Bolívia, Carlos Villegas, os diretores da Petrobrás Graça Foster (Gás e Energia), Nestor Cerveró (Internacional) e o gerente executivo para o Cone Sul, Décio Odone. Avisos   Evo aproveitou a recente exposição da deficiência brasileira na oferta de gás para retomar o tom incisivo de seu discurso em relação aos investimentos na área de energia. 'Se quiser investir, bem-vindo', disse, em Santa Cruz de la Sierra, sobre a possibilidade de a Petrobras voltar a injetar recursos no país. Mas, apesar de admitir que a Bolívia precisa de 'milhões e milhões' para desenvolver suas reservas de petróleo e gás ele fez questão de ressaltar que qualquer novo contrato terá de 'garantir o respeito às normas bolivianas'.   Apesar de manter a retórica da soberania boliviana, Evo Morales sabe que terá de ceder nas negociações, pois também está em desvantagem, sem os investimentos que internaram US$ 1,5 bilhão em pouco mais de uma década. 'Necesitamos plata', destacou Evo ontem. A PDVSA, estatal venezuelana, não foi, como previam analistas, a substituta da Petrobrás nos investimentos na Bolívia. A estatal brasileira chegou a responder por 25% do PIB boliviano.Anteontem os governos do Brasil e da Bolívia divulgaram a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Bolívia em 12 de dezembro. Os jornais bolivianos destacaram que será a primeira visita de Lula desde que Evo tomou posse, há 21 meses. 

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