Lula destaca potencial energético da 'nação sul-americana'

Em encontro com Hugo Chávez, Lula diz que no passado governantes latino-americanos eram cegos e mudos

Leonencio Nossa e Angela Lacerda, da Agência Estado,

27 de março de 2008 | 11h14

"Temos que juntos construir uma grande nação sul-americana capaz de competir do ponto de vista do petróleo e do gás e de todo o sistema de energia", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, 27, durante encontro com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, em Recife (PE). Lula também ressaltou a importância do acordo firmado na última quarta-feira, 26, entre a Petrobras e a petrolífera venezuelana PDVSA para a construção de uma refinaria de petróleo em Pernambuco.       Veja também:      Petrobras não deve agir como miss vaidosa, diz Lula   PDVSA deve ter participação de 40% em refinaria, diz Lula  Encontro termina sem contrato de refinaria em PE  Lula e Chávez visitam refinaria sem acordo para parceria   O presidente brasileiro disse acreditar que hoje os países do continente têm maturidade política para buscar juntos o desenvolvimento da região. Em uma crítica ao passado, Lula afirmou que os governantes latino-americanos eram cegos e mudos. "Como se falassem línguas diferentes", disse. "É como a Torre de Babel. Todo mundo próximo, mas sem entender ninguém e disputando quem era mais amigo dos presidentes americanos", afirmou.   Sobre o acordo entre a Petrobras e a PDVSA - considerado parcial, porque ainda não definiu o estatuto e o acordo de acionistas - Lula disse que a parceria mostra que as duas estatais deixaram de ser "misses vaidosas", para se transformarem em empresas que pensam formas para o desenvolvimento da região.   Ressaltando a necessidade de uma maior integração, Lula disse que nas décadas de 70 e 80 , quando era sindicalista, só viajava para os Estados Unidos e Europa e nunca para os países da América do Sul. "Sempre questionei porque nunca viajei à Argentina, Venezuela, Colômbia, Equador e Chile se em todos esses países havia sindicatos que pensavam como eu pensava", afirmou.   "Nós não existíamos entre nós. Não tínhamos a auto-estima de sermos latino-americanos", acrescentou Lula, ressaltando que a integração da América do Sul, com ou sem problemas, é irreversível.     Cidadão pernambucano     O clima entre os presidentes Hugo Chávez e Lula é de entendimento. Chávez recebeu nesta quinta-feira o título de cidadão pernambucano, e na entrevista, o brasileiro parabenizou Chávez ao dizer que de "ex-guerrilheiro, hoje é pacificador", devido à sua postura no caso da invasão do Equador pela Colômbia. Lula disse que Chávez teve um discurso pacificador e que ajudou na reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA), para que se chegasse a um acordo.   Lula disse após a cerimônia que "Chávez é tão pernambucano como eu. Ele pode se sentir tão pernambucano como eu, com a ressalva que não nasceu em Caetés, no agreste".   "Lula está cada mais sábio e comentou que a imprensa noticiou o acordo realizado entre PDVSA e Petrobras, e que foi parcial", disse Chávez. O presidente venezuelano embarca nesta quinta para o Maranhão, onde se encontrará com o governador Jackson Lago (PDT-MA).

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