Lula deve dar choque de credibilidade no mercado, diz executivo

A apreensão com o futuro da crise brasileira foi a tônica das intervenções de executivos de bancos internacionais num seminário realizado neste domingo pela Federação Brasileiras de Bancos, Febraban, num hotel em Washington. Economistas brasileiros que já se manifestaram publicamente favoráveis à candidatura do senador do PSDB, José Serra, como Eliana Cardoso, consulta do Banco Mundial, e Paulo Leme, analista do Goldman Sachs, disseram que a quebra do Brasil não é inevitável e que o País poderá completar a travessia ao próximo governo recuperando a estabilidade e preservando os ganhos conquistados durante do governo de Fernando Henrique Cardoso.A mesma tese é defendida pela alta direção do FMI, que negociou com o Brasil uma linha de crédito US$ 24 bilhões a ser desembolsada no próximo governo, com a condição de que seja mantido o curso da atual política econômica. Executivos de bancos brasileiros procuraram também transmitir alguma tranquilidade informando que o PT está construindo pontes com o mercado financeiro brasileiro, já tem grupos de trabalho atuando com banqueiros sobre questões específicas e que o presidente Fernando Henrique Cardoso já estaria pessoalmente empenhado num grande esforço para preparar o presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva e sua equipe a dar os passos necessários para acalmar o mercado, tão logo as urnas confirmem a eleição dele.Paulo Leme disse que Lula precisa dar "um choque de credibilidade" no mercado. "A situação é complexa, o quadro internacional é muito difícil, mas a situação externa da economia do Brasil é altamente administrável, desde que a nova administração dê uma mensagem clara ao mercado anunciando a escolha de uma equipe econômica extraordinária, tão boa ou melhor do que atual, e reafirme o compromisso do País não apenas com as reformas mas com a melhora da qualidade do ajuste fiscal".Segundo Leme, "essa surpresa pode gerar uma reação de mercado sensacional, com acentuada queda de juros e o retorno de capitais ao Brasil". Já o distanciamento dessa possibilidade, que poderia se dar com uma decepção do mercado diante dos nomes da próxima equipe econômica, "pode gerar uma crise muito profunda".Leme juntou-se ao analistas e executivos financeiros que lamentaram, nos últimos dias, a decisão de Lula de descartar a permanência de Armínio Fraga no Banco Central. "Faltou visão ao excluir uma pessoa tão qualificada como o Armínio; o Brasil têm poucos quadros como ele; e a questão não está apenas no comando do Banco Central, mas também na Fazenda, no BNDES, no Planejamento, no Banco do Brasil e na coerência dessas escolhas", disse o economista. "A escolha de um nome de vitrine para o Banco Central não resolverá o problema e duvido que as pessoas que vem sendo mencionadas aceitem um papel de vitrine", afirmou Leme, referindo-se aos economistas Afonso Celso Pastore e Claudio Haddad.

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