Lula deve definir reajuste de combustíveis hoje à noite

Lula já admitiu que o preço da gasolina está defasado, pois o combustível não é reajustado há 31 meses

Rosana de Cássia, da Agência Estado,

29 de abril de 2008 | 08h32

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se reunir nesta terça-feira, às 18h30, com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e de Minas e Energia, Edison Lobão. O tema do encontro deve ser o reajuste do preço dos combustíveis. Ainda não se sabe se o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, participará da reunião. No entanto, Gabrielli, que será condecorado pelo Ministério das Relações Exteriores, passará o dia em Brasília em "stand by", segundo assessores. Veja também:BC destaca risco de inflação e pode continuar a subir jurosOpep diz que preço do petróleo pode chegar a US$ 200Especialista da Fipe comenta aceleração da inflação Preço do petróleo em alta Entenda a crise dos alimentos no mundo  Entenda os principais índices de inflação    A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, já está confirmada. A agenda de Dilma, que retorna da viagem de trabalho de uma semana ao Japão, Coréia e Estados Unidos, começará às 15 horas, quando despachará com o presidente. Em seguida participará da reunião de Lula com o ministro das Comunicações, Hélio Costa, e depois, com o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Ronaldo Sardenberg. O presidente Lula já admitiu que o preço da gasolina está defasado, pois o combustível não é reajustado há 31 meses. Segundo assessores próximos ao presidente, ele está convencido de que o aumento do preço da gasolina é inevitável. No Palácio do Planalto, assessores do presidente lembram que o último reajuste dos combustíveis ocorreu quando o barril do petróleo estava na casa dos US$ 30. Hoje, já ultrapassa US$ 120 dólares. "Ninguém gosta de aumentar nada", comentou um ministro, justificando, em seguida, que também não se pode manter o preço defasado como está agora. A principal preocupação é com o impacto que o aumento terá na inflação. Afinal, a demanda está aquecida e já fez o Banco Central (BC) elevar a taxa básica de juros na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).  Impacto na inflação Os dados recebidos pelo governo indicam que o impacto do reajuste da gasolina na inflação não será tão grande quanto se pensa. "É muito menos do que se fala", atestou um auxiliar do presidente. Ele reiterou que o que tiver de ser feito em relação a esse assunto será feito, porque o governo não poderá ficar represando um reajuste eternamente. Na opinião deste auxiliar, já que o reajuste é inevitável, é melhor que seja feito logo, para evitar maiores polêmicas e especulações. O ministro Edison Lobão disse na segunda-feira que, se a Petrobrás realmente decidir elevar o preço do petróleo nas refinarias "não haverá aumento perceptível no preço do combustível na bomba". O ministro não confirmou o reajuste, embora tenha dito que a Petrobras está perdendo fôlego no mercado interno, prejudicada pela constante alta do petróleo no mercado internacional. "Se houver reajuste, será estabelecido nesta semana", disse Lobão, sem se manifestar em relação aos 5% especulados.

Tudo o que sabemos sobre:
Reajuste dos combustíveisInflação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.