Lula deve repudiar exigência da UE sobre etanol no G8

União Européia condiciona abertura do mercado ao fornecimento de garantias sobre a produção no País

Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo,

08 de julho de 2008 | 14h26

                                                                                                                         Wilson Pedrosa/AE   Nos debates desta quarta-feira, 9, com o G8 (grupo dos sete países mais industrializados do mundo e a Rússia), em Hokkaido, no Japão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá repudiar a tentativa da União Européia (UE) de condicionar a abertura de seu mercado ao etanol brasileiro ao fornecimento de garantias de que a produção no País é ambientalmente sustentável e não incentiva o trabalho escravo.   Veja também: G5 cobrará do G8 controle sobre capital especulativo   Nos últimos dias, o presidente da Comissão Européia, braço executivo da UE, José Manuel Durão Barroso, voltou a insistir nessa condição, que vai além da implementação do selo ambiental pelo governo brasileiro. "Não vejo porque a União Européia precisa de garantias", rebateu o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. "O selo já é uma garantia. Não há necessidade de nenhum acordo."   No rápido debate dos líderes do G5 (cinco nações emergentes: Brasil, Índia, África do Sul, México e China), a discussão sobre a ampliação da produção de biocombustíveis acabou tangenciada até mesmo pelo seu maior patrocinador, o presidente Lula. Até o início da madrugada desta quarta (horário local), o documento final do encontro não havia sido divulgado pelo governo mexicano.   Segundo Amorim, o texto reforça a argumentação brasileira de que o álcool derivado da cana-de-açúcar, ao contrário dos biocombustíveis produzidos a partir do milho e de oleaginosas, não figura entre as causas do aumento dos preços dos alimentos. A mesma posição tem sido apoiada pelo Banco Mundial.   O debate sobre o etanol ficou reservado às conversas bilaterais de Lula, que se encontrou com o presidente do México, Felipe Calderón e com os presidentes da Coréia do Sul, Lee Myung-Bak, e da China, Hu Jintao. Embora todos os líderes do G5 tenham recebido o convite do governo brasileiro para participar da Conferência Internacional sobre os Biocombustíveis, programada para novembro no Brasil, apenas o mexicano prometeu comparecer.

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