Lula diz a ministros que vai discutir tarifas de Itaipu com o Paraguai

Presidente reitera, porém, que eventual flexibilização no valor pago ao vizinho não significa mudar tratado entre países

Luciana Nunes Leal, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

23 de abril de 2008 | 00h00

Durante reunião da coordenação do governo, com a presença de seis ministros, na tarde de ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reiterou a disposição do governo brasileiro de discutir com o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, as tarifas pagas pelo Brasil ao país vizinho pela energia de Itaipu. Reiterou, no entanto, que flexibilizar o pagamento não significa alterar o Tratado de Itaipu. Ouça análise do professor da USP Segundo Lula, cabe a Lugo fazer uma proposta ao Brasil, que analisará e encaminhará uma resposta. Se for o caso, o governo brasileiro poderá fazer uma contraproposta. Participaram da reunião os ministros Guido Mantega (Fazenda), José Múcio (Relações Institucionais), Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência), Paulo Bernardo (Planejamento), Tarso Genro (Justiça) e Franklin Martins (Comunicação Social).Lula deverá se reunir com Fernando Lugo antes da posse do novo presidente paraguaio, marcada para 15 de agosto. O mais provável é que o encontro ocorra no Brasil, já que Lugo ainda não será oficialmente presidente. A reunião foi acertada durante telefonema de Lula a Lugo, na tarde de ontem. Embora os dois não tenham falado sobre o impasse, assessores do Palácio do Planalto acreditam que o tema central da conversa será o preço pago pelo Brasil ao Paraguai pela energia de Itaipu. Oficialmente, o assunto da reunião é mais abrangente: o desenvolvimento do Paraguai, apontado pelo governo brasileiro como tema de total interesse do presidente Lula.O encontro com Lula foi pedido por Lugo durante o telefonema, que durou cinco minutos. Lula ligou para cumprimentar o ex-bispo católico que acabou com 60 anos de domínio do Partido Colorado no Paraguai. Lula foi convidado para a posse, mas não confirmou presença. O presidente prefere avaliar, antes, como avançam as conversas sobre Itaipu. Segundo assessores, o presidente brasileiro não crê em um acirramento no discurso de Lugo. O governo federal acredita que a contundência do paraguaio ao pregar mudanças no Tratado de Itaipu era típica de campanha, mas não se acentuará com a vitória garantida. Os assessores reiteram a manifestação do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, de que o Brasil está disposto a flexibilizar as regras para o pagamento da energia do Paraguai, o que não significa alteração no tratado. Ainda segundo assessores do Planalto, será natural que grupos técnicos dos dois países discutam formas de garantir ganhos para o Paraguai, depois da conversa política entre Lula e Lugo. Um dos pontos dos quais o Brasil não abre mão é não permitir que o Paraguai venda a energia para terceiros. Pelo tratado, o Paraguai tem de repassar ao Brasil toda a energia que não utiliza.Durante o telefonema, o presidente brasileiro conversou também com o vice-presidente eleito, Frederico Franco, que pediu conselhos e disse querer conhecer a experiência de Lula no governo. Assessores de Lula interpretam a atitude de Franco como um indicativo de que, apesar das dificuldades políticas com a vitória sobre o Partido Colorado, ainda poderoso no Parlamento, Lugo não pretende fazer um governo de confronto nem de medidas radicais.FRASESEdison LobãoMinistro de Minas e Energia"Digo que a tarifa é justa e é a tarifa que se pratica no País""Não vejo, no momento, razões para isso (revisar exclusivamente Itaipu). O pensamento atual é no sentido de manter as tarifas como estão""Se o Brasil vier a estabelecer uma tarifa diferenciada da praticada no País, haverá prejuízo para o consumidor brasileiro"

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