Lula diz que ataque ao etanol é ''leviandade''

No lançamento do ?PAC da Embrapa?, presidente afirma que posição de destaque do Brasil incomoda

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu mais uma vez às críticas que o governo tem recebido de instituições internacionais como a ONU pela prioridade dada aos biocombustíveis. O presidente disse ver "leviandades" nos ataques ao etanol. "Na hora em que o Brasil começa a se apresentar ao mundo não mais como coadjuvante, mas como o artista principal, as pessoas começam a ficar incomodadas. Eu diria, muitas vezes, até com leviandades contra o Brasil", afirmou o presidente ao discursar de improviso em solenidade pelos 35 anos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Lula afirmou que a associação entre falta de alimentos e produção de biocombustível ''é mais uma novidade'' na série de críticas que organismos internacionais e países ricos fazem ao Brasil."Em reuniões de organismos internacionais, o Brasil é acusado de muita coisa, que vai desde desmatamento até trabalho escravo, mau pagamento de salários e, agora em mais uma novidade, da falta de alimentos por conta dos biocombustíveis", protestou.O presidente reclamou que os críticos dos bicombustíveis não se queixam do aumento do petróleo. "É engraçado que esses pessoas que estão criticando os biocombustíveis e que estão preocupadas com o preço do alimento nunca fizeram uma crítica ao preço do petróleo, que salta de US$ 30 para US$ 120 (o barril). Nunca reconheceram publicamente o quanto implica no custo do alimento, na produção de fertilizantes, no aumento do gás", atacou. Ele reconheceu que a inflação causada pelo aumento dos preços dos alimentos é preocupante, mas lembrou que acontece em várias partes do mundo. "Temos problema de inflação causada pelo aumento dos alimentos do Chile à China, passando pelo Brasil e por outros países", ponderou.Lula criticou ainda os subsídios dos países desenvolvidos à produção agrícola, que barram a entrada da produção de países em desenvolvimento. ''O Brasil tem que ter voz mais ativa e mais forte no mundo globalizado. Daqui a pouco, vão criar a idéia de que zebu não é gado, que a cana-de-açúcar da Amazônia não é boa, que o suco de laranja e o café do Brasil não são de qualidade'', disse.A solenidade marcou o lançamento do chamado PAC da Embrapa, programa que destinará R$ 914 bilhões à pesquisa agropecuária até 2010, sendo R$ 650 milhões para a Embrapa e R$ 264 milhões para instituições estaduais. O presidente disse que a integração entre os diversos órgãos de pesquisa vai facilitar a troca de informações entre os pesquisadores. Citando a atuação da empresa em países como Venezuela e Gana, Lula disse que "a Embrapa precisa ocupar um espaço maior no cenário mundial".

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