Lula diz que caminhão deve ser usado como garantia de financiamento de veículo novo

Atualmente, o proprietário não pode dar o caminhão como garantia, porque o veículo é considerado essencial para o seu sustento.

Glauber Gonçalves e Alexandre Rodrigues, da Agência Estado,

31 de maio de 2010 | 13h23

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje, em evento sobre tecnologias de sustentabilidade para o setor automotivo, no Riocentro, a necessidade de se garantir que os proprietários de caminhões possam dá-los como garantia para financiar um novo veículo, por meio de uma mudança da legislação. Hoje, o proprietário não pode dar o caminhão como garantia, porque o veículo é considerado essencial para o seu sustento.

"Estamos trabalhando e conseguindo avançar na renovação da frota de caminhões (...) Ficamos muito tempo discutindo o óbvio, e deixamos de avançar", disse, se referindo à discussão sobre a destinação dos veículos antigos. "Quem tem veículo velho é que tem que se preocupar em vendê-lo". Segundo o presidente, o papel do governo é criar condições para que os interessados possam financiar caminhões.

O presidente disse também que o país precisa facilitar mais ainda o acesso ao crédito. "No Brasil já houve tanto calote ao longo da história, que hoje só pede empréstimo quem não precisa", afirmou.

Carro elétrico

O presidente Lula disse que tem dúvidas sobre a viabilidade do carro elétrico como alternativa aos motores de combustíveis fósseis. Lula também exaltou o sucesso de vendas dos carros bicombustíveis brasileiros, os chamados flex, que podem usar etanol e gasolina.

"É carro elétrico para cá, carro elétrico para lá, mas não se sabe ainda se alguém vai produzir em grande escala", disse Lula, que chegou foi transportado do heliponto do Riocentro ao pavilhão do evento num ônibus movido a hidrogênio desenvolvido pelo programa de pós-graduação em engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ).

Na semana passada, o presidente Lula suspendeu a divulgação de um pacote de incentivos aos carros elétricos pouco antes da cerimônia devido às divisões no governo sobre o tema. Os ministérios da Fazenda, Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia defendem as medidas, mas o Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio teme que os incentivos possam prejudicar a competitividade do etanol e do biodiesel brasileiros.

"Hoje, quase 100% dos carros vendidos no Brasil são flex. E 60% dos donos desses carros têm uma preferência pelo etanol, que definitivamente virou uma parte importante da matriz energética brasileira" discursou Lula. (Alexandre Rodrigues)

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