Dida Sampaio/AE
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Lula diz que crise não bateria no Brasil sem quebra do Lehman

Presidente afirma que "alguns setores da economia brasileira pisaram muito rapidamente no breque"

Nalu Fernandes, da Agência Estado,

22 de setembro de 2009 | 09h31

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta última segunda-feira à noite, em Nova York, ter "convicção" de que a crise não bateria no Brasil se não tivesse ocorrido a quebra do Lehman Brothers. Praticamente um ano depois da falência do banco de investimentos com mais de um século de operações em Wall Street, o presidente brasileiro disse que, "se o governo passado tivesse tido a coragem de colocar US$ 60 bilhões no Lehman Brothers, possivelmente, eles não tivessem quebrado e o crédito não tivesse desaparecido, como desapareceu".

 

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As afirmações foram feitas por Lula ao receber o prêmio Woodrow Wilson para Serviço Público, em jantar realizado no Waldorf Astoria, em Manhattan. Lula está em Nova York para participar da 64ª Assembleia Geral da ONU. Depois, o presidente seguirá para Pittsburgh, para o encontro de cúpula do G-20. O preço cobrado para o jantar, realizado no hotel Waldorf Astoria, foi de US$ 1.000 por pessoa.

 

Lula questionou o desaparecimento da concessão de crédito após a falência do Lehman Brothers, no final da primeira quinzena de setembro em 2008. "Nem empresas poderosas estavam conseguindo pegar US$ 1.000 emprestados", comentou para uma plateia de acadêmicos, investidores, empresários e autoridades norte-americanas e brasileiras.

 

No Brasil, avaliou Lula, "o que aconteceu, na verdade, foi que houve um pouco de covardia de alguns setores da economia brasileira, que pisaram muito rapidamente no breque, e que deram férias em novembro, em dezembro (de 2008) e em janeiro (de 2009) sem necessidade". "No Brasil, nós tivemos uma parada brusca na indústria automobilística e em março (deste ano) quem queria comprar um carro tinha que esperar quatro meses."

 

Para a plateia, o presidente brasileiro afirmou que o Brasil terá um ano de 2010 "extremamente promissor". "Tomamos todas a medidas que tivemos de tomar", disse ele. "Quando foi necessário comprar bancos, nós compramos. Quando foi necessário desonerar, nós desoneramos. Obviamente, poderíamos estar melhor se não tivesse tido a crise", afirmou.

 

Educação

 

O presidente destacou a determinação do governo em investir na educação e disse que esta foi uma das razões para ter encaminhado ao Congresso o sistema de partilha para exploração e produção do petróleo na camada do pré-sal. Foi também o motivo pelo qual a proposta abriga a constituição de um fundo para investir em educação, ciência e tecnologia, questão cultural ambiental e combate à pobreza.

 

"Criamos o fundo pois há muitos países ricos em petróleo que continuam com muitos pobres. Estamos fazendo esta lei para não permitir que algum governo irresponsável em algum momento da história do Brasil não faça o mesmo que sempre aconteceu: uma pequena parte fique rica e a maioria, pobre. Como achamos que a riqueza de um povo está na sua formação, conhecimento e capacidade tecnológica, vamos apostar tudo na educação para fazer com que o pré-sal se transforme em patrimônio para o Brasil ser exportador do conhecimento e não apenas de óleo cru".

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