Lula diz que, na crise, esperava mais da Vale

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou hoje que esperava mais da mineradora Vale, no auge da crise mundial. Em entrevista em Pernambuco, Lula disse que é amigo pessoal do presidente da empresa, Roger Agnelli, mas não escondeu sua insatisfação com decisões da empresa de não ter iniciado projetos considerados importantes pelo governo, como a construção de siderúrgicas e investimentos na construção de navios.

LEONENCIO NOSSA E ANGELA LACERDA, Agencia Estado

11 de setembro de 2009 | 15h40

Lula disse que, no último encontro que teve com Agnelli, esta semana, em Brasília, disse ao empresário que a Vale poderia ter começado as obras de construção de siderúrgicas no Espírito Santo, Pará e Ceará durante a crise. "Eu disse para o companheiro Roger Agnelli que era para termos começado a construir essas siderúrgicas no auge da crise, para dar uma resposta a quem estava com medo", afirmou o presidente.

O presidente afirmou ainda que, nessa mesma conversa, pediu para Agnelli comprar navios de transporte de minério na indústria naval brasileira que, segundo o presidente, está voltando a crescer. "Ele (Agnelli) disse para mim que a indústria naval brasileira não podia fabricar navios e, agora, conversei com companheiros (do estaleiro) da Atlântico Sul e eles disseram que já estão preparados", disse o presidente.

Lula disse que já na próxima semana vai se reunir com a Atlântico Sul, Agnelli e a indústria naval para saber se é possível atender à demanda da Vale. "Eu disse para o companheiro Roger que a gente tem de pensar no Brasil. Você vai comprar um pouco mais barato (se importar), mas estará gerando emprego na China, gerando salário na China", afirmou.

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