Lula diz que novas medidas podem ser tomadas para conter valorização do Real

O presidente, no entanto, não explicou quais medidas seriam estas

Tânia Monteiro, da Agência Estado,

20 de outubro de 2010 | 12h40

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira, 20, que novas medidas poderão ser adotadas para segurar a valorização do real. "Serão tomadas quantas (medidas) forem necessárias", disse Lula, sem, no entanto, explicar quais medidas seriam estas.

Após participar de solenidade de apresentação do carro elétrico da Mitsubishi Motors do Brasil, Lula, em rápida conversa com jornalistas, disse que os Estados Unidos e os países ricos deveriam usar o Brasil como exemplo para vencer os problemas econômicos. O presidente disse ainda que, no momento, não há medida sendo estudada para conter as importações.

'Não existe mágica'

Lula repetiu que "não existe mágica na economia" para explicar as recentes medidas adotadas pelo governo para conter a valorização do real. Segundo ele, "estamos vivendo momento auspicioso", lembrando que, no mês de setembro, entraram US$ 16 bilhões no Brasil, quando em outro tempo entravam US$ 10 ou US$ 12 bilhões por ano no País.

"É muito importante saber que, quando eu entrei no governo, a gente tinha US$ 16 bilhões de reservas e US$ 30 bilhões emprestados do FMI e que hoje, nós recebemos US$ 16 bilhões de investimentos por mês e é, por isso, que nós aumentamos o IOF", disse, classificando como correta a medida do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em seguida, reforçou que "tomaremos tantas quantas medidas forem necessárias para não permitir que o real se valorize muito em relação ao dólar".

"É importante lembrar que o problema não é do Brasil. O problema é que todas as moedas do mundo estão se valorizando diante do dólar porque os Estados Unidos precisam encontrar uma forma de recuperar sua economia. Não é possível que a maior economia do mundo, ou as maiores, tanto a europeia quanto a americana, que sabiam de tudo quando eram os países pobres é que tinham crise, não saibam com resolver a sua própria crise. Se pedissem ajuda, a gente poderia contribuir", disse.

Questionado sobre de que forma o País poderia contribuir, Lula respondeu que os países desenvolvidos deveriam fazer as coisas que o Brasil fez. "O que nós fizemos quando veio a crise econômica? Nós fizemos muito mais infraestrutura. Nós reduzimos os impostos para que aumentasse o consumo, nós criamos as condições para que o povo brasileiro pudesse consumir mais. Foi isso que recuperou a indústria brasileira", disse lembrando também da ampliação do crédito interno.

"Eu acho que o mundo precisa compreender o seguinte: não é possível que o mundo rico não resolva seus problemas, porque, quando o mundo rico sofre, é verdade que ele sofre, mas quem mais sofre é o mundo pobre, a África", acrescentou. Lula disse ainda que a América Latina vive um momento excepcional e que o Brasil hoje serve de exemplo para qualquer outro país. "Nós nunca tivemos a autoestima que temos hoje no nosso país".

Importações

Lula admitiu que, se necessário, o governo pode tomar medidas para conter as importações. "Pode ter (de tomar medidas). Na hora que o Miguel Jorge (ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) me procurar e disser para mim que as importações estão incomodando, nós iremos tomar medidas. Por enquanto o que ele (ministro) acha é que a gente não tem de diminuir as importações, mas nós temos de contribuir trabalhando para aumentar as nossas exportações", afirmou.

Segundo o presidente, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foram orientados a ficar atentos 24 horas para que as medidas que tiverem que ser tomadas sejam definidas no momento certo. "Nós estamos com a nossa balança comercial razoável, vamos chegar em US$ 195 bilhões de exportações, vamos ter um superávit previsível importante, ou seja, significa que nós apostamos no auge da crise que era preciso mais livre comercio, que era preciso vender mais e comprar mais. Nós somos contra qualquer restrição ao comércio e portanto, o Brasil está se saindo bem. O que eu espero é que os outros países também se saiam bem", afirmou.

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