Lula diz que pensa no Brasil para próximos 20 a 30 anos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao abrir o seminário "Brasil e Parceiros - Oportunidades de Investimento", em Nova York, deu um recado direto aos mais de 600 investidores, analistas e empresários presentes no evento. "Não estamos pensando no Brasil eleitoralmente, mas sim para os próximos 20 e 30 anos", afirmou. Lula disse que foi com "muito sacrifício" que o governo resolveu assumir a responsabilidade de pagar um preço para dar ao Brasil a oportunidade de não ter apenas um crescimento eventual, ou seja, "uma bolha de crescimento em ano eleitoral". "Queremos provar que é possível o Brasil ter um crescimento sustentado e contínuo e, ao mesmo tempo, ter uma política social mais ousada. Assumimos a responsabilidade de até dezembro de 2006 atender a uma transferência de renda a 11 milhões de famílias que estão abaixo da linha de pobreza, totalizando 44 milhões de pessoas", disse. Segundo Lula, para que isto aconteça é necessário "que estes meninos que estão aqui (referindo-se aos ministros presentes) e aos meninos que estão aí (referindo-se aos investidores e empresários) façam o seu trabalho corretamente e de forma madura". Crescimento sustentadoLula voltou a frisar que não está pensando no Brasil eleitoralmente e que, portanto, é preciso construir um alicerce sólido. "Não queremos fazer nenhuma pequena aventura, nem inventar a roda e nem criar um plano para gerar um crescimento de 7% em um ano e ter uma queda de 7% no ano seguinte. Preferimos crescer menos, mas que este crescimento seja sustentado", afirmou.Aos investidores nos EUA, que segundo Lula são o maior parceiro comercial do Brasil, o presidente fez um apelo: "Confiem mais, invistam mais, porque haverá possibilidade de vocês ganharem mais". O presidente disse que no dia primeiro de julho completará um ano e meio de governo e neste período colocou em prática algumas ações que vão permitir no longo prazo uma economia equilibrada e um desenvolvimento sustentado. Para isto, o governo teve de impor uma política fiscal dura. "Não podemos gastar mais do que arrecadamos e nem podemos aumentar a carga de impostos", afirmou.Postura ousadaAo descrever a política externa do governo, Lula disse que o Brasil adotou uma postura ousada em ser um ator ativo no cenário mundial e não apenas um coadjuvante. O primeiro passo, para isto, foi recuperar uma boa relação com a América do Sul, pois, segundo ele, havia desconfiança política e não existia uma estrutura de integração física. "Hoje estamos alcançando um resultado impensável que é a integração de toda a América do Sul a partir do Mercosul, incluindo os países andinos, isto é um passo impportante porque é um mercado muito importante para os investidores estrangeiros", ressaltou Lula, destacando a importância da integração dos sistemas de telecomunicações, energia e transportes do Continente.Ele também descreveu os esforços de aproximação do Brasil com a China, Índia, Rússia e a África no que ele descreveu como uma integração dos países em desenvolvimento para criar uma "nova geografia comercial no Mundo", dando mais força a estes países para negociar subsídios agrícolas com os países desenvolvidos. Antes desta palestra, Lula teve um café dfa manhã com um grupo de 25 CEOs de grandes empresas e investidores.Leia também: No dia em que o presidente Lula pede mais investimentos estrangeiros no Brasil, o governo divulga que maio teve o menor volume de investimentos estrangeiros diretos para este mês desde 1994.

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