Lula diz que possível volta da inflação seria 'pior desgraça'

Presidente exime governo da culpa pelas pressões inflacionárias e diz que problema com alimentos é mundial

Elizabeth Lopes, da Agência Estado,

20 de maio de 2008 | 16h19

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta terça-feira, 20, um alerta dos riscos da volta da inflação no País, destacando que ela representa "a pior desgraça" para os assalariados. Em discurso realizado no anúncio de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na favela de Heliópolis, ele destacou: "Não podemos deixar a inflação voltar". E eximiu seu governo de maior responsabilidade: "E a culpa não é governo, não. A culpa é de quem compra e de quem vende, de quem governa e de quem não governa". Veja também:Entenda a crise dos alimentos Entenda os principais índices de inflação   Segundo o presidente, a pressão inflacionária causada pelo mercado consumidor, sobretudo o de alimentos, não ocorre só no Brasil, mas no mundo inteiro. "A pressão inflacionária por causa dos alimentos ocorre não porque o Brasil deixou de produzir, tanto que este ano vamos bater recorde de produção de grãos, com 142 milhões de toneladas produzidas. O que ocorre é que tem mais boca comendo e vai ser preciso colocar mais água no feijão", declarou. Apesar de citar a previsão de recorde na produção de grãos, Lula voltou a dizer que o Brasil terá que plantar mais arroz, trigo e feijão para o povo comer. "Mas este é um desafio bom e a gente não tem que reclamar. Eu quero é que cada vez mais o povo coma melhor", emendou. Ao falar dos riscos da inflação, Lula frisou: "A inflação é a pior desgraça para o povo que vive de salário, porque come o salário do trabalhador". Ele disse que sua administração já está trabalhando no sentido de capacitar o setor produtivo do País a aumentar a oferta. "Quando o povo pode comprar mais, as indústrias também devem produzir mais, é preciso mais investimentos no Brasil", argumentou. Além de pregar os investimentos na produção de grãos e de bens de consumo, Lula ressaltou que seu governo vem trabalhando para propiciar um crescimento harmônico para o Brasil. Dentre as ações já implantadas, ele citou as obras do PAC, que vão gerar emprego e melhoria na condição de vida da população. O presidente anunciou o pacote de ações do PAC na favela de Heliópolis, na zona Sul, ao lado do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), e do prefeito da Capital, Gilberto Kassab (DEM), dentre outras autoridades.

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