Lula diz que presença de Fidel na cúpula é "importante"

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou de "importante" a presença do líder cubano, Fidel Castro, na cúpula do Mercosul, que começou ontem na cidade de Córdoba, na Argentina. "Fidel estava afastado dos fóruns internacionais. É importante que ele tenha vindo para esse encontro e que nós possamos assinar o acordo com o Mercosul", destacou Lula, referindo-se ao acordo de complementação comercial quer será firmado hoje, envolvendo 3.000 posições alfandegárias.O Mercosul poderá ampliar suas exportações, atualmente concentradas na venda ao mercado cubano de máquinas agrícolas, eletrodomésticos e chassis de ônibus, enquanto que ilha cubana poderá exportar rum, charutos e medicamentos. Este será o primeiro grande acordo comercial que Cuba assinará desde que iniciou o embargo dos EUA contra o país nos anos 60 (com exceção dos acordos comerciais que existiam com a União Soviética).VenezuelaLula também elogiou a adesão plena da Venezuela, destacando os benefícios da sociedade com o país caribenho e do "bom momento" que vive o Mercosul e destacou "o sonho de construir a comunidade sul americana". Porém, reconheceu que a região tem problemas sociais e políticos profundos, os quais "só podem ser resolvidos com o aperfeiçoamento da democracia".Indagado se a presença da Venezuela no Mercosul poderia ser um empecilho para negociar um acordo com os EUA, Lula respondeu que "não tem nenhum problema" e utilizou como exemplo a China, "que é um país comunista e é um país que tem relação privilegiada com os Estados Unidos desde 1973". Nesse sentido, Lula voltou a repetir que "nós não discutimos essa questão ideológica, a qual é pertinente à política interna de cada país". DivergênciasO presidente ressaltou ainda que é preciso "resolver o problema do Uruguai e do Paraguai" e repetiu que a "Argentina e o Brasil, como os maiores do bloco e, agora, com a Venezuela, temos a obrigação de ajudar esses países a se desenvolverem porque não há bloco que se sustente se a miséria perdurar".Sobre as divergências bilaterais no Mercosul, Lula disse que "é preciso ter paciência" para encontrar "as saídas conjuntamente porque quanto mais unidos, mais fortes e mais chances teremos de fazer acordos com a União Européia, com a OMC e com os Estados Unidos".

Agencia Estado,

21 de julho de 2006 | 13h25

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