Lula diz que proposta de reajuste dos Correios é razoável

Presidente afirma que salário dos funcionários da estatal praticamente dobrou durante o seu governo

Sandra Hahn, da Agência Estado,

18 de setembro de 2009 | 14h11

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou nesta sexta-feira, 18, o discurso que fez na solenidade para lançamento das obras da Rodovia BR-448 para mandar duas mensagens: uma delas a sindicalistas que realizavam protestos no local do evento e outra para a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB). Ao primeiro grupo, Lula disse que o dirigente sindical é aquele "que tem coragem de começar uma greve e de acabá-la quando percebe que ela está pronta para acabar", em uma referência ao movimento deflagrado há três dias pelos funcionários dos Correios.

 

Veja também:

linkCorreios vão recorrer ao TST contra greve de empregados

 

Conforme o presidente, o dirigente sindical que pede aquilo que está além das possibilidades apenas para promover a greve pode levar os trabalhadores a prejuízos. O presidente disse que o valor do salário dos funcionários dos Correios praticamente dobrou durante o seu governo e defendeu que a proposta de reajuste apresentada à categoria é "razoável". Lula afirmou que no palco do evento estavam alguns dos melhores dirigentes sindicais do País e disse conhecer líderes "covardes" que são capazes de iniciar uma greve e não são capazes de dizer que está na hora de trabalhar.

 

Os manifestantes aproveitavam os intervalos entre discursos para gritar palavras de protesto contra o governo federal. Ainda em referência a outro grupo de manifestantes presentes no local, Lula disse que em seu governo foram tituladas mais áreas de quilombolas que nos últimos 20 ou 30 anos no País. Entre as faixas empunhadas pelos manifestantes, havia uma delas que defendia a titulação de terras de um quilombo no Rio Grande do Sul.

 

Pela primeira vez, o presidente cobrou a presença da governadora Yeda Crusius em um evento no Estado. Yeda não participou da solenidade. "Gostaria que a governadora estivesse aqui e o prefeito da capital (Porto Alegre)", afirmou Lula, ao notar as ausências de Yeda e de José Fogaça (PMDB). O presidente defendeu que o ato de início das obras foi institucional e lamentou a proximidade do ano leitoral, em 2010, afirmando que "isso começa a atrapalhar", em uma referência ao relacionamento entre potenciais adversários.

 

Lula também destacou que o Rio Grande do Sul tem previsão de investimentos de R$ 25 bilhões pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e voltou a defender investimentos em Educação. Segundo ele, seu governo ultrapassou o de Juscelino Kubitschek (1956 -1961) na criação de universidades. Lula afirmou que JK fez dez unidades de ensino e, durante a sua gestão, onze novas universidades já estão previstas e mais três aguardam aprovação.

 

O presidente também prometeu voltar ao Rio Grande do Sul em 2010 para fazer campanha eleitoral. "Em 2010, virei aqui para falar de política", disse Lula, acrescentando ainda não ter candidatos, nem para a disputa nacional nem nos estados. Mas prometeu trabalhar para eleger um nome para dar continuidade "a tudo o que fizemos neste País".

 

A BR-448 terá 22 km de extensão entre Sapucaia do Sul e Porto Alegre e será realizada no prazo de 30 meses, com investimentos da ordem de R$ 824 milhões.

Tudo o que sabemos sobre:
CorreiosgreveLula

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.