Rodrigo Cavalheiro/Estadão
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Lula diz que perda do grau de investimento não significa nada

Quando presidente em 2008, Lula disse que o grau de investimento era uma 'conquista do povo brasileiro' e comparou o Brasil anterior à classificação a um trabalhador que 'recebe o dinheiro, torra tudo em mesa de jogo ou bebe demais'

Rodrigo Cavalheiro, correspondente, O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2015 | 12h24

Atualizado às 13h28

BUENOS AIRES - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira, 10, em Buenos Aires, que o corte da nota brasileira pela agência Standard & Poor's "não significa nada". "Isso não significa nada. Significa que apenas a gente não pode fazer o que eles querem. A gente tem que fazer o que a gente quer", destacou.

O ex-presidente, que participa do 3º Congresso Internacional de Responsabilidade, disse "achar muito engraçado" que a agência de risco tenha tomado essa decisão e criticou que essas agências não usam os mesmos critérios para "países quebrados da Europa". 

No início de seu discurso, ele criticou a estratégia de ajustes econômicos, que a seu juízo provocam recessão e desemprego.

Conquista do povo brasileiro. Em 2008, quando o Brasil foi classificado como grau de investimento pela S&P, o então presidente disse que isso era uma conquista do povo brasileiro. "Eu acho que houve uma combinação de esforços feita por todos os brasileiros que permitiu que nós pudéssemos, hoje, estarmos felizes porque é uma coisa importante para o Brasil (o grau de investimento), é uma vantagem extraordinária nesse mundo globalizado", disse Lula, à época.

O ex-presidente recorreu ainda a uma de suas tradicionais metáforas, comparando a figura de dois trabalhadores. Um deles é um homem comportado, que cuida da família, paga o aluguel e não tem vícios. "Esse é o investment grade", explicou Lula. O outro recebe o dinheiro, torra tudo em mesa de jogo ou bebe demais e está quebrado. "Então, era assim que era o Brasil. O Brasil estava quebrado, não tinha credibilidade. Todo mundo lembra quanta faixa tinha aqui, da dívida externa. Cada vez que ia em um lugar era: 'Fora FMI', Acabou isso. Acabou!".

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