Lula diz que receita para crescimento sustentado está pronta

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje, em discurso no Fórum Econômico Mundial, no Hotel Grand Hyatt, em São Paulo, que o País já tem uma receita pronta para gerar crescimento sustentado, sem inflação. "A receita está pronta, o Furlan (Luiz Fernando Furlan, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) e o Meirelles (Henrique Meirelles, presidente do Banco Central) sabem, e nós não temos que fazer mágica. Temos que aumentar as exportações, aumentar as importações de bens de capital para nossas indústrias ganharem competitividade e reduzir os juros, como nós estamos fazendo, e vamos fazer tudo isso sem que a inflação volte", afirmou o presidente para uma platéia formada por empresários brasileiros e internacionais e dirigentes de organismos multilaterais. Lula lembrou ter vivido no período em que a inflação brasileira chegou a 80% ao ano e que ele, na época, conseguiu preservar seus recursos financeiros por mantê-los aplicados, enquanto que a população mais pobre do Brasil sofreu as conseqüências por não ter nem sequer contas bancárias para se proteger. "Se eu consegui manter a estabilidade da minha família por 32 anos, será mais fácil manter a estabilidade do Brasil por quatro anos", disse o presidente, ao demonstrar o preceito básico a orientar o governo dele. Comércio exterior Segundo Lula, o atual governo brasileiro rompeu com uma lógica de não olhar para o mercado da América do Sul como um potencial comprador de produtos brasileiros. Assim, foi possível tornar o conjunto da América Latina como principal consumidor da produção brasileira, superando as exportações dos Estados Unidos e União Européia, isoladamente. "A balança comercial do Brasil com o México foi superavitária em US$ 3 bilhões, e isso só foi possível porque acreditamos em nós, olhamos nossos irmãos da América Latina, sem esquecer da importância dos Estados Unidos e da União Européia", afirmou o presidente. Ainda ao tratar do comércio exterior, Lula insistiu que a administração federal reconheceu a China como economia de mercado para fazer os chineses seguirem as normas de negociação no âmbito da Organização Mundial do Comércio. "Ao invés de ter medo, decidimos trazer a China e a Índia para o mercado, trazendo 2,3 bilhões de seres humanos, até então marginalizados, para o mercado de consumo, podendo comprar nossos produtos", justificou. Convite aos empresários Lula fez um convite, depois tornado em desafio, para que os empresários que participam do Fórum invistam no Brasil, aproveitando as oportunidades de energia renovável, infra-estrutura e formando parcerias estratégicas com empresas nacionais. "Este País em andamento é o que quero que vocês conheçam. É o país que não aceita a lógica do jogo fácil", disse. Segundo ele, o maior desafio a ser lançado e que será aceito pela comunidade empresarial é o de garantir uma oportunidade para a América do Sul. Isso se dará com investimentos em infra-estrutura. Em outra frente, Lula afirmou que energias renováveis, como o etanol e o biodiesel, este último extraído do óleo de mamona, semente de girassol e outros grãos, poderão garantir o desenvolvimento econômico, não apenas dos países latino-americanos, como também do Caribe e do continente africano.

Agencia Estado,

06 Abril 2006 | 17h09

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