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Lula e Brown pedirão ao G-20 US$ 100 bi para ampliar comércio

Grupo que inclui países ricos e emergentes se reúnirá na próxima semana para discutir medidas anticrise

Leonencio Nossa, da Agência Estado, e Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

26 de março de 2009 | 13h24

O primeiro ministro da Inglaterra, Gordon Brown, colocou-se contra o protecionismo e chamou atenção para a redução dos fluxos comerciais que apresentaram queda "pela primeira vez em 30 anos, principalmente em países como China, Alemanha e Japão. Brown informou que ele e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversaram sobre a proposta de defender junto ao G-20, grupo que reúne países ricos e economias emergentes, aportes de US$ 100 bilhões para financiar a expansão do fluxo de comércio. Ele defendeu a reforma do FMI e do Banco Mundial para dar mais transparência, mais previsibilidade. O G-20 se reúne na próxima semana, em Londres.

 

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Em entrevista coletiva, Brown afirmou que o momento é para se fazer uma reforma bancária e acordos para fomentar o comércio. Ele lembrou que o crédito tem secado nos últimos meses e fez um apelo à expansão do comércio global dizendo que é preciso que os países consigam revitalizar o fluxo de comércio. Também defendeu a retomada da Rodada Doha de livre comércio. "Precisamos dar nomes aos bois para os países que romperam os acordos. Disse ele ao defender a rodada Doha", disse.

 

Lula voltou a defender a retomada da Rodada Doha, de livre comércio e voltou criticar o protecionismo. "Aprendemos a gostar do livre comércio, uma conquista que não podemos abrir mão por causa da crise", disse. Lula comparou o protecionismo às drogas que são usadas quando se está em crise. "O efeito é rápido, mas depois vem a depressão. E se a gente não agir rapidamente, além da depressão vem a recessão e não temos previsibilidade do que virá depois no mundo".

 

Paraísos fiscais

 

Presidente também voltou a criticar os paraísos fiscais e defendeu mudanças nesses sistemas. Segundo lula, este terá que ser um assunto a ser discutido na reunião do G-20. "Não pensem que será uma luta fácil. Quem tem dinheiro nos paraísos não são os pobres. São outros", disse ele. E acrescentou: "Vamos ter um duro enfrentamento no G-20 para mexer nos paraísos fiscais".

 

Segundo Lula, se fossem apenas as Ilhas Cayman, não haveria problemas. "Mas tem países como a Suíça, que nunca foram chamados de paraísos fiscais mas que tem muita semelhança com isso. Diante disso, os governantes terão um gostoso desafio para provar que somos capazes de fazer valer a confiança que nossos povos depositam em nós."

 

Moeda global

 

Lula definiu como "válida" e "pertinente" a proposta da China de se criar uma moeda global. Ele disse que os países não devem ficar subordinados apenas ao dólar. "Os Estados Unidos certamente vão se colocar contra, mas acho que discussão é válida e pertinente, pois o mundo não deve ficar subordinado a uma única moeda".

Na entrevista, Lula lembrou que o governo brasileiro já vem adotando medida para evitar o uso do dólar nas negociações com países vizinhos. Citou o caso da relação com a Argentina, em que o Peso e o Real são as moedas de troca. "Nós aproveitamos a nossa negociação com a Argentina para usar a moeda brasileira e permitir que os argentinos usem o peso. É preciso dar novos passos para não ficarmos subordinados à moeda de outros países", completou.

 

 

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