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Lula e Chávez não chegam a acordo sobre refinaria

Negociações entre as duas estatais de petróleo, iniciadas em 2005, previam a formação de uma empresa mista

LEONENCIO NOSSA, Agencia Estado

27 de junho de 2008 | 20h52

Terminou nesta sexta-feira, 27, sem acordo o quarto encontro dos presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Venezuela, Hugo Chávez, para definir um parceria entre a Petrobras e a PDVSA para a construção de uma refinaria em Pernambuco e exploração de petróleo na faixa do Rio Orenoco. Lula manifestou a colaboradores a expectativa de que as duas estatais cheguem, rapidamente, a um entendimento.Na área de energia, a Refinaria Abreu Lima é o principal projeto de parceria entre Petrobras e PDVSA. O acordo para a construção da refinaria foi assinado no encontro que Lula e Chávez tiveram em março, no Recife. Eles tinham se reunido em setembro, Manaus, em dezembro de 2007 em Caracas e em março deste ano no Recife. Desta vez, Chávez pressionou o governo brasileiro e a Petrobras a assegurar investimentos no poço petrolífero de Carabobo. Lula afirmou que a dificuldade de as estatais PDVSA e Petrobras não conseguirem fechar acordo, se deve à necessidade de cautela. Segundo Lula, é uma questão "requer muito cuidado" e "não se trata de uma ação entre amigos". E completou: "O fato de a PDVSA e a Petrobras demorarem para conseguir um acordo se deve ao fato de as duas serem extraordinariamente grandes e poderosas. Mas acho que elas não chegaram a um denominador comum." O presidente disse esperar que a refinaria produza gasolina já em 2010. Ele informou que no caso da exploração de petróleo na faixa do Rio Orenoco, a Petrobrás propôs, em vez de participar com 10% na parceria com a PDVSA, participar de um processo de licitação com outras empresas. Os presidentes Lula e Hugo Chávez terão uma nova reunião, desta vez no Brasil, para discutir os acordos entre as duas estatais. Segundo Lula, a idéia é de que neste encontro a questão esteja definitivamente resolvida. Ele negou que as descobertas no litoral brasileiro sejam o motivo para que o acordo não tenha sido fechado. "Quero dizer ao povo venezuelano que quanto mais petróleo encontrarmos na Venezuela e no Brasil, mais poderosos seremos. O que não está claro para muita gente é que juntos seremos mais sobreanos e fortes"  Negociações As negociações entre as duas estatais de petróleo, iniciadas em 2005, previam a formação de uma empresa mista para operar o poço de Carabobo e outra que controlaria a refinaria de Suape. Até agora, o único avanço foi a garantia, sem assinatura de contrato, de que a Petrobras ficará com 60% do controle da refinaria e a PDVSA com 40%, num projeto orçado em US$ 4 bilhões. Os venezuelanos não aceitam que a estatal brasileira adie, em especial, a definição dos porcentuais de controle da empresa que vai explorar no Orinoco. A Petrobras, nos últimos meses, teria dado mostras de que pretende priorizar investimentos no litoral paulista.Em viagens neste ano a Recife e a países vizinhos, o presidente Lula reclamou em público dos dirigentes das duas estatais, que não conseguem pôr em prática acordos políticos entre os dois governos. Em maio, num encontro em Lima com o presidente peruano Alan Garcia, Lula aumentou o tom da reclamação. "Quando a Petrobras e a PDVSA se sentam para conversar há um descontrole total", disse.Auxiliares de Chávez, porém, tinham demonstrado desconfiança da posição de Lula. A "resistência" da direção da Petrobras em acatar determinações políticas de Lula é questionada pelos venezuelanos. A assinatura do acordo entre as duas companhias já foi adiada duas vezes. Em março, em Recife, Lula reclamou do pessimismo da imprensa. Já Chávez acusou jornalistas de serem "quinta colunistas".

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