Lula e Chávez visitam refinaria sem acordo para parceria

Operação conjunta entre Petrobras e PDVSA no empreendimento de PE ainda está em fase de estudos técnicos

Agência Brasil,

26 de março de 2008 | 14h31

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, acompanhará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em visita ao canteiro de obras da Refinaria Abreu e Lima, no Complexo Portuário de Suape, em Pernambuco, na tarde desta quarta-feira, 26. A visita, no entanto, não significa que a Petrobras e a petrolífera venezuelano PDVSA tenham finalmente chegado a um acordo quanto à operação conjunta do empreendimento. Por enquanto, a parceria não passa de intenção.   Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, o gerente-geral da refinaria, Ricardo Barreto, informou que a constituição de uma empresa mista ainda está em fase de estudos técnicos e as negociações dependem de acerto bilateral para a exploração de Carabobo 1, na Faixa do Orinoco. "Continuamos em estudos, junto com a Venezuela, na formação de uma parceria para a refinaria aqui no Brasil e para a produção de petróleo na Venezuela. A princípio, nenhum acordo vai ser firmado", disse na terça-feira, 25, o gerente-geral da refinaria.   Em dezembro passado, durante visita do presidente Lula a Caracas, Petrobras e PDVSA anunciaram acordo quanto à participação acionária na Refinaria Abreu e Lima - 60% da empresa brasileira e 40% da petrolífera venezuelana. Mas a parceria, efetivamente, não foi formalizada, esclarece o gerente-geral da refinaria.   Em setembro de 2007, diante do impasse entre os acionistas, a Petrobras decidiu começar sozinha as obras da refinaria e deu início à terraplanagem da área doada pelo governo de Pernambuco. Em dezembro, Lula e Chávez tentaram impulsionar a joint venture, mas o máximo que conseguiram foi a definição da participação acionária da futura parceria, caso venha a se concretizar.   A Petrobras, segundo Ricardo Barreto, está disposta a continuar sozinha no projeto de cerca de US$ 4,05 bilhões, com previsão de início das operações no segundo semestre de 2010.   "Em termos financeiros, é sempre bom poder dividir o investimento, mas não é fundamental. A Petrobras não requer, necessariamente, um sócio para conduzir essa refinaria", afirma Barreto, frisando que a Abreu e Lima sempre esteve no planejamento estratégico da Petrobras pois havia necessidade de uma nova refinaria no Nordeste.   "A todo momento se contemplava entre construir uma nova refinaria ou ampliar as existentes. Chegou o momento, na medida em que se esgotou a capacidade de ampliação", justifica.   A partir de 2011, operando em carga plena, a Refinaria Abreu e Lima terá capacidade de processamento de 200 mil barris de petróleo pesado por dia - 100 mil do campo de Carabobo 1, e outros 100 mil de Marlim Sul, na Bacia de Campos. Cerca de 70% da produção serão de diesel - derivado de maior consumo no país hoje. A produção se destinará basicamente aos mercados do Norte e Nordeste: norte de Alagoas, Paraíba, interior de Pernambuco, norte da Bahia e, por navio, Ceará, Pará e Maranhão, podendo chegar ao Centro-Oeste por São Luiz.   "Se o mercado ao crescer tanto quanto se imagina, se houver algum excedente, pode se destinar à exportação porque a qualidade do produto que vai ser feito aqui tem um padrão internacional", afirma o gerente-geral da refinaria. Ele assegura que o mercado brasileiro continuará sendo prioritário caso a PDVSA venha a integrar o projeto.   Na tarde desta quarta, 26, os presidentes Lula e Hugo Chávez sobrevoarão as obras da refinaria e visitarão o canteiro de obras, no Complexo Portuário de Suape, a cerca de uma hora de Recife. Depois, terão encontro privado na sede do governo de Pernambuco, simultaneamente à reunião de trabalho de ministros dos dois países. À noite, Lula e Chávez participam de jantar também no Palácio de Governo, com integrantes das comitivas brasileira e venezuelana e alguns empresários que estão na capital pernambucana para o Fórum Empresarial Brasil-México.

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