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Lula e Chirac deixam flagrante impasse na rodada de Doha

O impasse na rodada multilateral da Organização Mundial do Comércio (OMC) ficou mais uma vez evidente hoje na reunião de cúpula da União Européia, América Latina e Caribe. Num discurso durante o evento que reúne sessenta chefes de Estado e Governo, o presidente Lula exortou os europeus e demais países ricos a flexibilizarem sua posição nas negociações comerciais, abrindo seus mercados agrícolas aos países em desenvolvimento. Já o presidente da França, Jacques Chirac, disse que a responsabilidade de se avançar na rodada de Doha está em poder dos grandes países em desenvolvimento da América Latina, numa referência clara ao Brasil."Na rodada de Doha, a União Européia fez o máximo que podia, especialmente na agricultura, para chegar a um acordo", disse Chirac. "Chegou a hora dos grandes países em desenvolvimento, particularmente aqueles na América Latina, de avançar nas principais áreas das negociações - tarifas industriais, serviços e propriedade intelectual."O presidente Lula disse que a "principal responsabilidade" pelo avanço das negociações da OMC recai sobre os países ricos. "Não se pode mais aceitar pretextos para o imobilismo", disse. "Estamos dispostos a fazer movimentos na área industrial e de serviços, desde que haja avanços realmente significativos na liberalização do comércio em agricultura."Segundo Lula, "o protecionismo agrícola dos países ricos é uma das formas mais injustas de depressão das condições de vida do mundo em desenvolvimento". O presidente brasileiro voltou a ressaltar a necessidade de um encontro de cúpula para se tentar destravar a rodada. "Na reunião do G-8, em São Petersburgo, em julho, poderemos ser porta-vozes desse sentimento."Morales foi alívio para os francesesO governo francês temia que a rodada da OMC - e a pressão pela abertura do comércio agrícola europeu - seria o principal tema do encontro de Viena, o que colocaria Chirac numa situação difícil diante dos demais líderes. O objetivo declarado da participação de Lula no evento era tentar dar um novo impulso ao processo negociatório.Mas as polêmicas declarações do presidente da Bolívia, Evo Morales, em torno da nacionalização das reservas de gás em seu país, além de outros focos de crise na América do Sul colocaram a rodada de Doha num segundo plano no cúpula de Viena. Para o alívio da comitiva francesa.

Agencia Estado,

12 de maio de 2006 | 16h42

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