Lula e Mantega discutem PIB e avaliam medidas cambiais

A expectativa é que as medidas ajudem a frear o intenso fluxo de dólares para a economia brasileira

Adriana Fernandes, da Agência Estado,

12 de março de 2008 | 10h04

O resultado do crescimento econômico do Brasil em 2007 será tema de uma reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda Guido Mantega na manhã desta quarta-feira, 12. Eles vão analisar todos os números do PIB de 2007, que ficou em 5,4%. Veja também: Economia brasileira cresce 5,4% em 2007  Governo anuncia hoje primeiras medidas para conter queda do dólar Objetivo é desestimular entrada de capital especulativo Medidas são inócuas, dizem economistas A expectativa é que Mantega também apresente o teor das medidas em estudo para conter a excessiva valorização do real frente ao dólar. Algumas das medidas deverão ser anunciadas ainda hoje, mas o Ministério da Fazenda ainda não confirmou oficialmente o anúncio. Na noite de terça-feira, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e Mantega se reuniram no Ministério da Fazenda para discutir o teor das medidas. O Conselho Monetário Nacional deverá se reunir extraordinariamente para aprová-las. Antes disso, porém, as medidas serão submetidas ao presidente Lula. Objetivo das medidas A expectativa é que as medidas ajudem a frear o intenso fluxo de dólares para a economia brasileira, que tem derrubado a cotação da moeda americana e valorizado o real. A queda do dólar é apontada como um dos principais motivos da forte aceleração das importações e provoca queixa dos exportadores, que alegam perder rentabilidade nas vendas ao exterior. Umas das medidas esperadas é o fim da cobertura cambial - que é a obrigação dos exportadores internalizarem no País os dólares recebidos. Em 2006, o governo já havia flexibilizado as regras da cobertura cambial, permitindo que 30% das receitas com exportações ficassem no exterior. Na época, a intenção inicial era acabar com a cobertura cambial, mas prevaleceu a estratégia de mudança gradual. Outra medida esperada é a tributação de capital estrangeiro aplicado em títulos públicos.  Economistas consideraram, contudo, que o conjunto de medidas que o governo deverá anunciar hoje para conter a desvalorização do dólar é inócuo. Isso porque a dinâmica do mercado mundial é de desvalorização dólar em relação às demais moedas. Essa tendência ganha força especialmente nos países emergentes, observaram especialistas. "Dentro do plano razoável, não há nada que possa conter o real", afirmou o sócio-diretor da MB Associados, José Roberto Mendonça de Barros. Segundo ele, a valorização do real está ligada ao cenário externo, ao temor de uma recessão nos Estados Unidos, que desencadeou um movimento mundial de queda do dólar. "O que comanda o valor atual é a turbulência externa. Sou cético quanto à existência de instrumentos para segurar o dólar."

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