Lula: é preciso decidir quais setores irão se destacar

Governo e empresários precisam chegar a um entendimento sobre quais setores da economia devem se destacar, disse hoje o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com cerca de uma centena de grandes empresários. Ele citou como exemplos as indústrias automobilística, siderúrgica e de papel e celulose. Para Lula, o Brasil não deve se contentar em produzir 2,7 milhões de automóveis por ano, quando pode ser uma plataforma de exportação e produzir 5 milhões a 6 milhões por ano. A indústria siderúrgica, disse o presidente, não deveria se contentar em crescer 40 mil toneladas por ano, um índice semelhante ao da China, sendo que o Brasil é o maior produtor de minério do mundo."A Vale do Rio Doce vai ter de pensar, junto com as empresas brasileiras, se vai apenas ser exportadora de minérios ou se vamos exportar valor agregado", comentou. Ele avaliou, ainda, que é "incompreensível" que a indústria de papel e celulose não seja a mais importante do mundo, dadas as vantagens comparativas. Segundo o presidente, o cenário econômico favorável no Brasil e no exterior permite que se discuta com calma e "sem ideologia" se o País precisa ou não de uma política industrial. "Hoje, todo mundo chegou à conclusão que o País precisa ter uma política industrial", disse. Ele informou aos empresários que o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, vai discutir com os setores políticas de incentivo, com medidas de desoneração tributária.AéreasAo conclamar as empresas brasileiras a buscar oportunidades de negócio no exterior, durante reunião com cerca de 100 grandes empresários brasileiros, o presidente se queixou da falta de linhas aéreas interligando o Brasil à África, América do Sul e América Central. Ele disse que pretende discutir o tema mais a fundo e buscar formas de o Brasil "voltar a ter a importância no transporte aéreo que já teve". Uma possível medida, disse, seria autorizar linhas mesmo em rotas consideradas pouco rentáveis, ainda que o governo precise garantir a compra de um determinado número de assentos. "Vai ter crítica? Vai", antecipou Lula.

LU AIKO OTTA, Agencia Estado

24 de outubro de 2007 | 19h46

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