Lula e presidente coreano têm encontro pouco produtivo

Mercosul e Coréia do Sul querem um acordo de livre comércio. No comunicado conjunto dos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Coréia, Roh Moo-Hyun, foi firmado o compromisso de elaborar estudos conjuntos sobre a viabilidade desse acordo, informou nesta terça-feira o ministro coreano das Relações Exteriores e Comércio, Ban Ki Moon. Os dois países também assinaram um memorando de entendimentos para exploração de energia e recursos minerais. Foi o único documento oficial resultante do encontro dos dois presidentes. Em contraste, a reunião de Lula com o chinês Hu Jintao, na última sexta-feira, rendeu 11 atos oficiais. "Não tínhamos nenhum grande acontecimento previsto para essa visita", admitiu o diretor do Departamento de Ásia e Oceania do Itamaraty, embaixador Edmundo Fujita. "O presidente da Coréia sempre teve curiosidade de conhecer o presidente Lula, então acho que o mais importante foi o encontro dos dois." No setor privado, porém, as conversas caminham bem. A Vale do Rio Doce, por exemplo, assinou contrato com a Pohang Steel Corporation (Posco), que prevê a venda de minério de ferro por um prazo de dez anos. Também foi acertado que a Vale e a LG Mikko farão pesquisas conjuntas na área de tecnologia. A Posco e a Vale também avaliam a possibilidade de instalar uma siderúrgica no Maranhão. O presidente da Vale, Roger Agnelli, cobrou do governo mais agilidade para resolver a questão tributária que pesa sobre esse projeto. "Não podemos perder essa oportunidade", ressaltou. A ministra de Minas e Energia, Dilma Roussef, disse que, a partir do memorando assinado nesta terça-feira, uma missão técnica brasileira irá à Coréia e uma missão coreana virá ao Brasil, no primeiro trimestre de 2005. Vão avaliar a possibilidade de novos projetos na área de energia. Ela informou, ainda, que foi assinado um acordo estratégico entre a Petrobrás e a petrolífera SK. As duas empresas pretendem atuar conjuntamente em alguns projetos. TV digital O ministro da Informação e da Comunicação da Coréia, Daej Chin, teve um encontro com o ministro das Comunicações, Eunício Oliveira, e fez pressão em torno do padrão de TV digital a ser adotado pelo Brasil. Os coreanos escolheram o padrão norte-americano e têm interesse em vender televisores aos brasileiros. Eunício e Chin também concordaram que, até maio de 2005, quando Lula irá à Coréia, será assinado um memorando de entendimentos para cooperação na área de tecnologia da informação. Esse é considerado, no Itamaraty, um campo com grande potencial de complementaridade entre as duas economias, pois os coreanos são grandes produtores de hardware e o Brasil tem boa tecnologia para software. Ainda no setor privado, técnicos do governo chinês estudam o credenciamento de 35 frigoríficos que exportariam frango para a Coréia. Com relação à carne bovina, porém, não há perspectivas no curto prazo. Os coreanos, tal como os japoneses, não compram carne de países que precisam controlar a febre aftosa com vacina.

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