Lula embarca para Pequim e quer aproveitar para discutir Doha

Presidente quer aproveitar presença de líderes de vários países nas Olimpíadas para voltar a discutir o tema

Rosana de Cassia, da Agência Estado,

05 de agosto de 2008 | 10h53

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou nesta terça-feira, 5, para Pequim, China, onde assistirá a abertura dos Jogos Olímpicos. Lula quer aproveitar a presença de líderes de vários países na abertura das Olimpíadas para discutir a Rodada Doha. Por telefone, ele pediu ao presidente americano, George W. Bush, há três dias, que convencesse o governo indiano a tentar superar o impasse. Veja também: Leia mais notícias sobre as Olimpíadas de Pequim Os problemas que levaram as negociações ao fracasso Vencedores e perdedores após colapso de DohaPrincipais datas que marcaram a rodada Enquanto isso, em Genebra, sede da OMC, diplomatas e advogados brasileiros se reúnem, nesta quarta-feira, para montar um plano de retaliação contra os Estados Unidos por causa dos subsídios, no valor de US$ 4 bilhões. Depois de sete anos de negociações, a OMC fracassou em chegar a um acordo, na semana passada. Parte do problema foi a insistência da Índia na criação de barreiras contra surtos de importação de alimentos, recusada pelos Estados Unidos. Mas, para alguns ministros, o problema central dos EUA não é esse. A rejeição teria sido uma forma de evitar temas mais sensíveis ao país, como os subsídios ao algodão.  Lula espera atuar como uma espécie de mediador nesse tema. Bush também estará em Pequim e, segundo fontes em Genebra, a idéia é que o assunto surja nas conversas com outros líderes. Lula, em seu programa Café com o Presidente, confirmou que pretende se reunir com o presidente chinês, Hu Jintao. A iniciativa não agrada a Pequim, que quer evitar debates políticos na abertura dos Jogos Olímpicos, na sexta-feira.  A vontade de Lula de não deixar Doha morrer antes do fim de seu mandato o fez ligar para Bush. A conversa teria durado dez minutos. Segundo a Casa Branca, os dois estariam comprometidos em relançar as negociações. O vice, José Alencar, assume interinamente a presidência. Ele recebe nesta manhã, no Palácio do Planalto, o Comandante do Exército, general Enzo Martins Peri. A agenda inclui ainda audiências ao embaixador da Áustria no Brasil, Werner Brandstetter, ao presidente da Associação de Juízes Federais do Brasil, Fernando César Baptista de Mattos e aos presidentes do PCdoB, Renato Rabelo e do PRB, Vitor Paulo.  Agenda Em Pequim, Lula terá várias reuniões com membros do governo chinês centradas no comércio e assistirá à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. Lula saiu de Brasília às 8h50, mas suas atividades oficiais em Pequim começarão na quinta-feira, quando terá uma reunião particular com o presidente do Congresso Nacional do Povo chinês, Wu Bangguo, e depois se encontrará com o presidente da China, Hu Jintao. A agenda política de Lula em Pequim inclui reuniões com outros chefes de Estado e de governo que assistirão à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, mas até agora só está confirmado um encontro com o presidente de Israel, Shimon Peres, na quinta-feira. Lula dedicará a sexta-feira ao grosso de sua agenda esportiva, que estará centrada na campanha do Rio de Janeiro para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. O Rio de Janeiro foi incluído juntamente com Tóquio, Chicago e Madri como únicas finalistas na disputa pela sede dos Jogos Olímpicos de 2016, e Lula está decidido a "fazer campanha" para o Comitê Olímpico Internacional (COI). Várias autoridades do COI devem estar reunidas em Pequim, inclusive seu presidente, Jacques Rogge, a quem Lula tentará convencer das qualidades do Rio de Janeiro. Antes de assistir à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, Lula visitará a Vila Olímpica e terá vários encontros com a delegação brasileira. O presidente também visitará a Casa Brasil, um espaço de promoção do turismo e negócios, que funcionará até o dia 24 no hotel Beijing Jianguo Garden e que também é dedicado à campanha do Rio de Janeiro para receber os Jogos Olímpicos de 2016.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.