Lula evita estimar volume de petróleo: 'há especulação'

Presidente mostrou-se confiante na transformação do País em um grande produtor de petróleo

Célia Froufe, da Agência Estado,

26 de junho de 2008 | 16h42

Em entrevista à TV Bloomberg, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não quis estimar o volume de petróleo a ser produzido nos poços descobertos pela Petrobras recentemente. Questionado sobre a possibilidade de triplicar o atual volume de produção, ele desconversou. "Penso que deve ser mais do que isso, mas não tenho número exato porque a especulação na Bolsa (de valores) seria muito grande", disse. Lula acrescentou que não tem interesse de que a especulação cresça nesse negócio. "É só ver a crise do subprime (mercado imobiliário de risco nos EUA) para saber que especulação não ajuda em nenhum lugar do mundo", lembrou, referindo-se à crise americana, que teve início com especulação com títulos imobiliários de segunda linha. O presidente também não respondeu à pergunta sobre o modelo que o governo utilizará para a exploração dessas descobertas brasileiras. "Isso é segredo de Estado", limitou-se a dizer. Lula disse, no entanto, que a exploração definitiva do Poço de Tupi, na Bacia de Santos, litoral Sul de São Paulo, será definitiva em março. "Vamos aprofundando até o máximo. Estamos trabalhamos de forma intensificada", argumentou. Ele lembrou, no entanto, que a indústria do petróleo está crescendo muito e não há equipamentos necessários disponíveis para todo o trabalho. O presidente relatou que a Petrobras está alugando 12 sondas, que custam US$ 700 mil por dia, e que o País está produzindo 38 sondas para explorar a camada de pré-sal. Produtor de petróleo Lula mostrou-se confiante na transformação do País em um grande produtor de petróleo e exportador de derivados da commodity. "Não posso falar do tamanho de reservas (de petróleo), mas acho que o Brasil vai se transformar num grande produtor, não quero que se torne exportador de petróleo", disse o presidente, em entrevista à TV Bloomberg, explicando que ele já teve, no passado, a pretensão de que o País participasse da Organização dos Produtores e Exportadores de Petróleo (Opep). "Quero que o Brasil exporte derivados de petróleo", afirmou.  De acordo com o presidente, o momento é ideal também para consagrar a indústria naval brasileira. "Eu já disse que Deus não é só brasileiro. Ele é brasileiro, mora no Brasil e parece que veio para ficar", disse.

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