Lula exige união de ministros nas negociações comerciais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou nesta quarta-feira mais comunicação entre os ministros que participam das negociações comerciais do Brasil no exterior, disse o ministro da Relações Exteriores, Celso Amorim. O pedido ocorre após as críticas dos ministros da Agricultura, Roberto Rodrigues, e do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, ao Itamaraty pelos resultados das negociações da Alca, em Trinidad e Tobago, na semana passada. Rodrigues classificou de "intransigente" a postura da chancelaria e Furlan disse que só soube das propostas brasileiras pela imprensa.Além de Furlan e Amorim, estiveram presentes no encontro de hoje com o presidente os ministros da Fazenda, Antonio Palocci, e do Trabalho, Jaques Wagner. Rodrigues não participou porque não estava em Brasília. "A reunião tinha por objetivo familiarizar a todos sobre o que tem ocorrido nas discussões sobre a Alca e melhorar a comunicação interna", disse Amorim. "Ficou combinado nessa conversa que procuraríamos manter, inclusive sempre que possível o presidente estará presente, uma frequência adequada de encontros".O ministro das Relações Exteriores garantiu que a participação da equipe econômica do governo na condução das negociações comerciais do Brasil tem sido "intensa". Amorim garantiu que o texto apresentado pelo Mercosul na reunião da Alca "não tinha nada de essencialmente novo". Segundo ele, "não houve instrução do presidente" para alterar as negociações multilaterais de comércio. O ministro descartou que o Brasil tenha sido intransigente nas posições nos últimos encontros do comércio internacional. "Não acho que seja intransigência expressarmos nossa visão do que seja a Alca pragmática e possível, levando em conta inclusive os prazos acordados", afirmou.O ministro das Relações Exteriores disse considerar uma excelente idéia a reunião do G-22, convocada pela Argentina para esta sexta-feira em Buenos Aires. "É fundamental termos clareza de que os principais objetivos que buscamos nas negociações comerciais agora serão alcançáveis na OMC e no sistema multilateral", disse. Amorim confirmou que o presidente Lula tem conversado com outros líderes na tentativa de fortalecer o G-22, grupo que defende as negociações agrícolas na OMC, mas tentou desvincular a atitude de Lula do anúncio da saída da Colômbia e do Peru do grupo. "O G-22 não é um grupo onde se tem de assinar carteirinha para entrar e sair", afirmou.Leia o editoriaisRevés do Brasil em Port of SpainUm fiasco diplomático

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