Lula faz apelo por ajuda à Bolívia

Presidente diz que é preciso relevar as críticas de Evo aos ?imperialistas?

Denise Chrispim Marin, Caracas, O Estadao de S.Paulo

14 de dezembro de 2007 | 00h00

Ao lado do seu colega Hugo Chávez, da Venezuela, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dedicou seu discurso a empresários dos dois países à preparação de sua próxima missão no exterior - sua delicada visita oficial a La Paz, na Bolívia, nos próximos dias 16 e 17. Lula defendeu que os países mais ricos da América do Sul - Brasil, Argentina e Venezuela - têm a obrigação de colaborar com os mais pobres e que o Banco do Sul deverá ser também orientado para ajudar a Bolívia a dar "um salto de qualidade". Por fim, chegou a indicar que é preciso relevar algumas declarações mais críticas disparadas por Evo Morales, presidente da Bolívia, contra o imperialismo brasileiro. "Eu compreendo quando um presidente faz um discurso mais eloqüente contra os outros países maiores. É natural que os países maiores sejam acusados de imperialistas", afirmou. "Tive de convencer muita gente no País que o Brasil tem de pagar o preço de ser a maior economia e a mais industrializada e tem de estender a mão aos países mais pobres. A Venezuela tem de pagar o preço de ter esse potencial petrolífero, e a Argentina tem de pagar o preço de ser uma economia forte". Para Lula, seria "o fim do mundo" um metalúrgico, como ele, não compreender a decisão de um "índio", como Evo Morales, de nacionalizar as jazidas de petróleo e de gás no país. Referiu-se ao episódio de maio de 2006, que levou a Petrobrás a engavetar seus projetos de investimento na ampliação da exploração de gás na Bolívia. Lula disse que a Petrobrás nunca deveria ter tomado essa decisão e que, no domingo, a companhia deverá se comprometer com a retomada de seus investimentos no país vizinho. Lula comentou que no domingo, em La Paz, deverão ser anunciados projetos de construção de um pólo gás-químico na fronteira entre os dois países e de uma hidrelétrica binacional no rio Madeira. "Hoje, estamos em uma relação mais apurada", afirmou.

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