Lula faz último apelo a Bush pela conclusão da Rodada Doha

Presidentes do Brasil e Estados Unidos se encontram nesta quarta, em meio à reunião do G8 no Japão

Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo,

08 de julho de 2008 | 19h48

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fará nesta quarta-feira, 9, um último pedido para que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, termine seu mandato com a conclusão da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) como legado de sua administração. Bush deverá entregar a Casa Branca ao vencedor das eleições de novembro próximo, o republicano John McCain ou o democrata Barack Obama no início de 2009. Veja também:G8 expressa 'forte preocupação' com alta mundial de alimentos O destino da Rodada Doha, em princípio, depende essencialmente do gesto de Bush nas próximas duas semanas, durante as quais as novas versões dos acordos sobre os capítulos agrícola e de abertura dos setores industrial e de serviços estarão em processo de digestão pelos membros da OMC. O processo deverá ser decidido no próximo dia 21, em Genebra, durante uma reunião de autoridades de cerca de 30 dos países mais influentes nas negociações da OMC, entre os quais o Brasil. Se houver consenso ainda em julho, o acordo final poderia ser assinado neste ano, antes de Bush passar a presidência ao sucessor. Caso contrário, a Rodada terá de ser suspensa, com expectativa de retomada apenas a partir de 2010, ou ter seu fracasso declarado pela OMC. Apesar da aposta em uma reversão na posição dos Estados Unidos, o governo brasileiro não pretende fazer nenhum gesto adicional nesta etapa conclusiva. "O Brasil avançou em tudo o que pôde. Nós já avançamos em um modelo de negociação, que é o possível", declarou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, ao falar sobre o encontro bilateral desta quarta. O encontro entre Lula e Bush se dará em um hotel na ilha de Hokkaido, no Japão, ao final do café da manhã oferecido pelo governo japonês aos chefes de Estado do G8 os países mais ricos do mundo e a Rússia e do G5 os emergentes Brasil, África do Sul, Índia, China e México. Foi o último encontro bilateral do presidente Lula a ser agendado. Ao longo do dia, Lula conversará reservadamente com os primeiros-ministros do Japão, Yasuo Fukuda, do Canadá, Stephen Harper, e da Itália, Silvio Berlusconi. O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, desmarcou um encontro previsto para a tarde desta terça. Nos últimos meses, as negociações da Rodada Doha emperraram por causa de novas pressões dos setores agrícolas dos Estados Unidos, estimulados pelo período eleitoral, e das demandas mais ambiciosas de Washington pela abertura dos mercados industriais das economias em desenvolvimento. Os Estados Unidos mostraram-se mais avessos a cortes mais fundos nos seus subsídios domésticos, sob o argumento de que a alta dos preços internacionais das commodities agrícolas reduz os dispêndios com as subvenções. Também se opuseram às pretensões do Brasil de ampliar a margem de setores industriais que poderão sofrer cortes tarifários mais suaves, nos casos de uniões aduaneiras formadas por países em desenvolvimento, como o Mercosul. Nesta terça, no documento sobre a economia global, o G8 declarou que a conclusão de um acordo "ambicioso, equilibrado e abrangente" da Rodada Doha é essencial para a economia e o desenvolvimento global e que se empenhará para a conclusão das negociações ainda neste mês. Os termos usados são os mesmos escolhidos pelo Brasil e seus sócios do G20, o grupo de economias em desenvolvimento que atua em conjunto nas negociações agrícolas da Rodada.

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