Lula foca suas mensagens ao G-8 na reunião de segunda

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou na tarde deste sábado em São Petersburgo determinado a focar suas mensagens na reunião ampliada do G-8 (sete países mais industrializados, mais a Rússia), na segunda-feira, na desobstrução da Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC) e na construção de um mercado mundial de etanol, como uma das alternativas ao petróleo e ao gás. Nem mesmo acenos que poderiam, em outros momentos, tocar a vaidade e desviar a atenção do governo deverão contaminar esse propósito.No antigo hotel em que a delegação brasileira foi hospedada, no centro da cidade, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, avisou que não é prioridade do Brasil tratar da sugestão do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, de conversão do G-8 em G-13, com a inclusão do Brasil e de outros países em desenvolvimento nesse fórum de poder."A transformação do G-8 em G-13 não é uma reivindicação brasileira. Se o Brasil for convidado, será normal aceitar, já que participa das últimas três reuniões como país convidado", afirmou Amorim. "Mas não é reivindicação nem o tema principal do presidente Lula. A mensagem que ele traz é sobre a Rodada Doha OMC", insistiu.Para Amorim, dois fatos recentes comprovam que os impasses na Rodada Doha ganharam relevância nas discussões do G-8 (os países mais industrializados do mundo, somados à Rússia) e das seis economias em desenvolvimento convidadas (Brasil, China, Índia, México, África do Sul e Congo), que se darão amanhã. O primeiro foi a incorporação desse tema ainda neste mês, quando a agenda da reunião já estava fechada. O segundo foi o convite de última hora remetido por Moscou para o diretor-geral da OMC, Pascal Lamy, participar dessa reunião. Lamy está incumbido justamente da missão de contornar os impasses e concluir os pré-acordos nas áreas agrícola, industrial e de serviços até o próximo dia 30 de junho.Transferência No final de novembro de 2005, pouco antes da conferência ministerial da OMC em Hong Kong, o presidente Lula divulgou a idéia de transferir aos líderes dos países mais influentes da organização a tarefa de tomar decisões - todas de impactos políticos - sobre questões até então insolúveis nas discussões entre os negociadores.Desde então, Lula vinha defendendo a realização de um encontro de cúpula. A proposta acabou consolidando-se parcialmente neste encontro do G-8, em São Petersburgo, depois do fracasso da conclusão de pré-acordos sobre os capítulos agrícola e industrial da Rodada, em 1º de julho, em Genebra.Nesse meio tempo, Lula recebeu apoio do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, ao encontro de líderes. Em encontro reservado com Bush, amanhã às 8h45 (1h45 em Brasília), Lula deverá discutir pontualmente a resistência americana em aprofundar os cortes no pacote de subsídios a seus agricultores. A oferta dos Estados Unidos de redução de 53% significaria, a rigor, a possibilidade de aumento nesses dispêndios dos atuais US$ 20 bilhões para US$ 22,5 bilhões. Trata-se do tópico que provocou o fracasso da reunião de Genebra. Sem uma posição mais flexível dos americanos, a Rodada poderá ser detonada."O importante é que os líderes dêem instruções para que seus ministros não saiam da sala de negociações sem um acordo fechado (sobre a abertura dos mercados agrícola e industrial e a redução dos subsídios domésticos para a agricultura)", declarou Amorim. "Todos concordam que, sem a ação dos líderes, não haverá resultados. Dependendo do que acontecer aqui, uma nova reunião ministerial poderá ser convocada para este mês, em Genebra", completou, referindo-se à hipótese mais otimista.

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