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Lula foi avisado de que gangorra da Bolsa vai continuar

Se a crise se prolongar, tanto o crescimento do País quanto o superávit comercial podem ser afetados

Vera Rosa, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2018 | 00h00

A serenidade demonstrada pelo governo diante da turbulência internacional não se repete com tanta ênfase em conversas reservadas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já foi avisado que o período de instabilidade externa pode ser longo e a Bolsa deverá continuar na gangorra por mais algum tempo. Lula também foi informado que, com tantas incertezas no horizonte, a vida econômica do País poderá ficar mais difícil, dependendo dos resultados da crise financeira. A grande preocupação do Palácio do Planalto é com o impacto no crescimento, a partir de 2008.Análises de economistas do governo indicam que, se houver recessão nos Estados Unidos, a meta de crescimento de 5% para o ano que vem - prevista no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - ficará totalmente comprometida. Se os juros continuarem caindo, a tendência à desaceleração será menor. Num cenário mais pessimista, porém, os juros podem até aumentar. Nesse caso, o crescimento não passaria de 3,5%, abaixo até mesmo da projeção do mercado, de 4,3%.Até agora, no entanto, o governo não aposta no pior cenário, com novas fugas de capital especulativo. A avaliação dos especialistas próximos a Lula é a de que o Brasil não vive uma crise interbancária, como a dos EUA. Motivo: os fundos, aqui, são menores e mais resistentes à turbulência internacional.Se a crise se prolongar, a balança comercial brasileira também pode ser afetada, fato que já foi informado ao presidente. O risco é a economia americana crescer menos, levando a uma retração nos demais países, sobretudo na China. Se esse freio realmente ocorrer, os preços das commodities (petróleo, minério de ferro, soja, café, etc.) tendem a cair. Além do reflexo negativo sobre os preços, as exportações poderão amargar uma queda nas quantidades, diante da redução do nível de atividade no mundo todo.Por enquanto, porém, a equipe econômica avalia que, com a expectativa de saldo de US$ 45 bilhões na balança comercial este ano, há gordura para queimar. O desempenho das exportações de janeiro a julho levou o governo a elevar a meta de vendas ao exterior de US$ 152 bilhões para US$ 155 bilhões.O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não trabalha com a hipótese de alta da inflação e aumento dos juros. Nas reuniões com Lula, Mantega tem afirmado que, apesar da polêmica, estava certo ao defender a meta de inflação de 4,5% para 2009 porque se tratava de precaução diante de abalos nos mercados internacionais, que acabaram se concretizando. "O mais provável é que o Brasil resista a essa crise", disse o deputado Antonio Palocci (PT-SP), ex-ministro da Fazenda, em conversa com colegas do PT, na Câmara. "Estão vendo? Aquilo que todos interpretavam como exagero no passado recente está servindo hoje como um colchão", emendou, numa referência ao severo ajuste fiscal adotado em sua gestão.

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