Lula ganha destaque na reunião do G-8 e cacife para liderar países em desenvolvimento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixa a Suíça, amanhã, depoisde sua destacada participação na reunião ampliada de cúpula do G-8, comcacife para tentar liderar um movimento dos países em desenvolvimento pormaior participação no comércio mundial e nas decisões internacionais. "Nãotemos que ficar esperando ser convidados para o G-8, temos que fazer asnossas reuniões (dos países em desenvolvimento) e tomar as nossas própriasdecisões", afirmou hoje o presidente brasileiro, diante da imprensainternacional, depois de participar do encontro com 20 chefes de Estado efazer duras críticas ao protecionismo europeu e americano.Além dos elogios e da promessa do presidente francês, Jacques Chirac, decolocar a proposta brasileira de criação de um fundo contra a fome napauta dos sete países mais ricos do mundo, Lula ampliou o prestígio que jápossuía entre os países pobres. Da Nigéria e da Argélia, por exemplo, opresidente recebeu a sugestão de convocar para o Brasil, no ano que vem,uma reunião do G-15, grupo que reúne os 15 principais países emdesenvolvimento do mundo."O Brasil está numa fase de recuperar o tempo perdido. Temos de fazer comoum carro de Fórmula 1, de preferência como o do Schumacher. O Brasilprecisa ser ousado, e vamos ser ousados na relação internacional",prometeu Lula, envaidecido pelas deferências pessoais que recebeu tanto deChirac quanto do presidente americano, George W. Bush, durante osdiscursos em Evian.Questionado por um jornalista estrangeiro se não era hora de o Brasilreivindicar a criação do G-9, com sua integração ao grupo dos países maispoderosos do mundo, o presidente brasileiro disse que não deve ter umapostulação isolada e emendou, em tom irônico: "Acho que dificilmente opresidente Bush fará uma reunião (no próximo ano, nos Estados Unidos) semconvidar os presidentes que estiveram aqui presentes. Será um G-19, G-20,é difícil voltar atrás, não tem retorno".Lula também demonstrou confiança com o fortalecimento da candidatura doBrasil por uma vaga permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas(ONU). "Não tenho dúvida de que o Brasil não só merece ser membropermanente do conselho, como vamos trabalhar para isso, mas esse é umprocesso de convencimento", afirmou o presidente, acrescentando que já temvários países convencidos da importância do papel que o Paísdesempenharia. "Penso que o Brasil vai conquistar o seu direito."As reuniões bilaterais realizadas ontem por Lula e que prosseguem hoje, jáserviram para acertar alguns passos seguintes da estratégia do Palácio doPlanalto e do Itamaraty. No próximo dia 6, por exemplo, os chanceleres doBrasil, Índia e África do Sul - três dos grandes países em desenvolvimento- deverão se encontrar em Brasília para discutir a relação trilateral. Oquarto país a ser atraído é a China, com cujo presidente Lula tomará, amanhã, o café da manhã.O aprofundamento da relação com os países do hemisfério sul serviria,segundo Lula, para pressionar os países ricos a recuarem nos subsídiosagrícolas. "Se nós crescermos o comércio entre nós e não ficarmos tãodependentes dos países mais desenvolvidos, eles terão interesse em mudar arelação conosco", afirmou o presidente.Segundo Lula, o presidente da Comissão Européia, Romano Prodi, manifestouotimismo com relação a perspectiva de mudanças na política agrícola dospaíses europeus, o que resolveria várias pendências no âmbito da OMC."Acho que vai ter mudanças substanciais", disse Lula, referindo-se àconversa com Prodi.O presidente da França, Jacques Chirac, entretanto, foi evasivo ontem aocomentar as críticas de Lula ao protecionismo, indicando que esse assuntoainda causa muita polêmica entre os países da União Européia.

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