Lula garante que juros caem no início de 2009

Presidente também acena com novas medidas para manter investimentos

João Domingos e Leonencio Nossa, O Estadao de S.Paulo

20 de dezembro de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, durante café da manhã com jornalistas, que os juros devem cair já no início de 2009. "Este é um ingrediente que acontece no início do ano que vem", afirmou. Para ele, até agora o trabalho do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, foi correto. "A política monetária foi acertada", disse. E fez uma advertência: "Mas, em época de crise, não pode ficar do mesmo jeito. O Meirelles é um homem inteligente e sabe fazer". Lula disse que a crise deve ser combatida com mais investimentos e acenou com a possibilidade de tomar medidas para garantir investimentos do setor privado. "Eu falei para o Paulo Bernardo (ministro do Planejamento): ?Você vai ficar à minha disposição no dia 31 até às 5 para a meia-noite, enquanto a gente pode tomar alguma medida?." Mas Lula não quis adiantar quais serão. "Em questões econômicas a gente não conta nada antes. Por exemplo: tive uma reunião com os empresários e só depois dela o ministro Guido Mantega (da Fazenda) disse que reduziríamos o IPI e o IOF para os veículos. Senão, até que as medidas fossem tomadas, ninguém compraria nada. O mercado ficaria paralisado." O presidente avaliou que o governo está dando mais atenção a quatro setores da economia: construção civil, agricultura, setor automobilístico e pequenas e médias empresas. Lula disse que no dia 29, pela manhã, fará uma reunião com Paulo Bernardo para verificar o que foi cumprido de metas estabelecidas e se vai ser necessário fazer remanejamento de recursos do Orçamento.SEM RECESSÃOSegundo ele, o primeiro trimestre de 2009 será o mais delicado.Portanto, é preciso trabalhar mais. Ele previu que pode haver queda no crescimento, mas descartou taxativamente a possibilidade de uma recessão no Brasil. "Isso não ocorrerá. De jeito nenhum." Ele disse não estar arrependido de ter avaliado, em setembro, que a crise financeira internacional chegaria ao Brasil apenas como uma "marolinha". "Não tenho arrependimento. É preciso lembrar que era setembro e o crescimento no trimestre tinha previsão de 6,8% do PIB", justificou. O presidente lembrou que o governo trabalha com o crescimento de 4% para o ano que vem e o Brasil é, de todo o mundo, o país mais bem preparado para enfrentar a crise econômica global. Portanto, quando Estados Unidos e Europa se recuperarem, o Brasil dará um grande salto. "Será um salto de qualidade e de patamar no mundo, tanto na economia quanto na respeitabilidade. Podem ter certeza." Lula disse ainda que nenhum centavo de investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) será cortado. "Podemos até ter um novo PAC no ano que vem", disse. Lula afirmou que pensa assim porque, para ele, o mundo desenvolvido não vai querer ficar numa crise econômica a vida inteira.FLEXIBILIZAÇÃO Sobre o debate a respeito da flexibilização da legislação trabalhista no momento de crise, Lula propôs a empresários e trabalhadores que se sentem numa mesa de negociação e resolvam a questão."Quem sabe, eles possam perceber que as duas palavras são mais duras pronunciadas do que executadas, se eles tiverem disposição."Mas, como presidente da República, ele não pretende patrocinar as rodadas de negociação, por entender que não é seu papel.

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