Lula inaugura de novo plataforma do pré-sal

Cidade Angra dos Reis tem capacidade para até 100 mil barris de petróleo por dia, mas só atingirá marca em 2012

Kelly Lima, Nicola Pamplona RIO, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2010 | 00h00

RIO

Mais uma vez, com as mãos sujas de petróleo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou sua marca nos macacões cor de laranja usados por políticos e diretores da Petrobrás. Desta vez, o presidente esteve na plataforma FPSO Cidade de Angra dos Reis, no Campo de Tupi, para inaugurar "o primeiro sistema definitivo de produção" do campo.

Lula já havia comemorado o início da produção de Tupi, quando a Petrobrás deu início a um teste de longa duração na área (TLD), em maio de 2009. Daquela vez, porém, não embarcou na plataforma, por causa das más condições climáticas.

Há algumas diferenças entre o TLD e o sistema definitivo de produção. O primeiro é projetado por períodos curtos, para testar o fluxo de petróleo de um poço. Já o sistema definitivo, geralmente com capacidade maior de produção, ficará na área até o esgotamento das reservas.

A Cidade de Angra dos Reis tem capacidade para produzir até 100 mil barris de petróleo por dia, capacidade que só será atingida em 2012. Este ano, a produção começa em ritmo lento, um máximo de 14 mil barris por dia, por causa de limitações referentes à produção de gás.

O gasoduto que levará o combustível ao continente ainda não está pronto e a Petrobrás não pode queimar mais do que 500 mil metros³ do gás que sobe dos poços junto ao petróleo. A partir do ano que vem, com a conclusão da obra, a estatal começa a conectar novos poços até atingir, em dezembro, 75 mil barris por dia.

Até o fim do ano, porém, Tupi ainda não é tecnicamente um campo petrolífero, com reservas provadas de petróleo e gás. Essa mudança só ocorre em dezembro, após o cumprimento de uma etapa contratual chamada declaração de comercialidade - que deve ser realizada, no caso da concessão onde está Tupi, até 31 de dezembro de 2010. Nessa etapa, o projeto ganha um novo nome, que deve ser relacionado à vida marinha.

"Tem de ser o nome de algum organismo marinho: pode ser molusco, pode ser peixe, pode ser mamífero, pode ser um coral...", brincou o diretor de exploração e produção da Petrobrás, Guilherme Estrella, quando questionado se o presidente Lula poderia batizar as reservas.

Após a declaração de comercialidade, a Petrobrás poderá apropriar parte das reservas do campo, estimadas em 5 a 8 bilhões de barris - atualmente, as reservas provadas da empresa são de 14 bilhões de barris.

O balanço de fim de ano da empresa trará ainda os 5 bilhões de barris de petróleo comprados da União no processo de cessão onerosa, parte da capitalização. Mas, nesse caso, não entrarão na conta de reservas provadas, disse Gabrielli, mas como "direito de produção". Os barris estão em cinco reservatórios identificados pela empresa no pré-sal da Bacia de Santos. / N.P e K.L.

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