Lula manda fazer plano para salvar a Varig

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já decidiu: vai salvar a Varig. O governo negocia com diversos setores federais e privados para tentar resolver o grave problema financeiro da companhia e evitar a sua quebra. Na tarde de ontem, ocorreu uma reunião no Palácio do Planalto entre técnicos de vários órgãos do governo e por isso circularam informações de que as negociações estavam em fase final, para serem anunciadas de imediato. O fechamento do acordo, no entanto, ainda depende da busca de soluções jurídicas para algumas questões e da palavra final do presidente. Cinco investidores, nacionais e estrangeiros, já demonstraram interesse em investir na Varig caso o plano de recuperação da companhia, capitaneado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), seja posto em prática e resolva a situação da empresa. A informação é de um executivo do BNDES que participa das negociações para sanear a dívida da Varig, estimada em torno de R$ 6 bilhões. "Há certos círculos do governo que achavam que a Varig poderia continuar como está para ver o que aconteceria. Não tem essa. Ou o governo ajuda ou a empresa quebra", afirmou a fonte, ressaltando que, de acordo com projeções do banco, a Varig deverá encerrar este ano com geração de caixa de US$ 160 milhões, mas tem de cobrir despesas de US$ 300 milhões. "A conta não fecha." Segundo o executivo, o pedido de Lula para salvar a Varig, feito ontem - informação confirmada por fontes da Infraero - pode significar que o governo está disposto a levar adiante o plano de salvamento da instituição, mas ainda não há nenhum comunicado oficial. O plano do BNDES prevê o desembolso de US$ 150 milhões por investidores institucionais e pelo próprio banco para deter o equivalente a um terço do capital de uma nova empresa, saneada e sem dívidas, que nas reuniões internas já está sendo chamada de "SuperVarig". Os R$ 3 bilhões que a empresa deve só de obrigações fiscais seriam negociados com o governo, caso a Varig desista de ações na Justiça, que somam R$ 4,5 bilhões, referentes a perdas com planos de congelamento de tarifas e cobranças indevidas de ICMS desde o fim da década de 1980. Outros R$ 3 bilhões de dívidas com credores institucionais, privados e governamentais seriam transformados em cotas num fundo de participação, segundo o executivo. Essa parcela representaria dois terços do capital da companhia. Ainda no mesmo pacote, a Fundação Rubem Berta, que controla a empresa, teria a sua participação acionária bastante reduzida no novo conglomerado. Pelas informações que chegaram ao Planalto, os dirigentes da fundação concordaram com a operação, pois passariam a participar de uma empresa saudável. A Varig informou oficialmente que não teve conhecimento de reunião realizada ontem para discutir o salvamento da empresa aérea. Um executivo da companhia comentou, entretanto, que a Varig está acompanhando a movimentação em torno do assunto no governo. Segundo ele, a expectativa é de que se encontre um formato que permita equacionar os problemas financeiros da empresa. Mesmo que isso, segundo ele, não represente necessariamente uma ajuda, mas um bom negócio para todos os envolvidos. ProarO acordo para salvar a Varig, que está sendo chamado de Proar (em alusão ao programa de socorro aos bancos privados do governo de Fernando Henrique Cardoso, o Proer), deverá beneficiar também as demais empresas do setor, como a Vasp, a TAM e até a saudável Gol. A decisão de salvar a Varig foi tomada pelo presidente Lula, que determinou ao ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, que operacionalizasse a solução dos problemas da empresa. Lula tem insistido que a Varig não pode quebrar porque a marca se confunde com o Brasil no exterior e, por isso mesmo, quer que a Casa Civil e o BNDES encontrem um meio de resolver as pendências da empresa.

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