Lula, Meirelles e Mantega discutem grau de investimento

Ministro e presidente do BC se reúnem com presidente para posicioná-lo sobre nova classificação do País

Beatriz Abreu, de O Estado de S. Paulo,

07 de maio de 2008 | 12h12

A reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, nesta quarta-feira, 7, tem como objetivo fazer uma avaliação sobre os impactos do investment grade ao Brasil. Segundo fontes do governo, trata-se de um encontro para posicionar o presidente com mais objetividade e com informações técnicas sobre o significado de o País alcançar o grau de investimento e como essa situação pode influenciar as contas externas. Não está previsto o anúncio de medidas neste momento, seja para conter o ingresso de capitais ou tentar controlar artificialmente a taxa de câmbio. Veja também:Na elite do mercado mundial O presidente do BC, que no fim de semana participou de reuniões na Basiléia, Suíça, com dirigentes de Bancos Centrais, fará um relato da avaliação e preocupação em relação ao aumento da inflação manifestada por esses dirigentes.  O objetivo do encontro com o presidente Lula é analisar o comportamento do conjunto das contas externas do País, que sinaliza para uma elevação do déficit em conta corrente, que se situou em US$ 10,5 bilhões no primeiro trimestre. O BC estimou o déficit desta conta este ano em US$ 12 bilhões, e já anunciou que irá rever essa projeção. A questão de como financiar essa conta é uma das avaliações que Ministério da Fazenda e Banco Central fazem neste momento. O BC acredita que o ingresso de capitais estrangeiros financiará o déficit em conta corrente, que também tende a se equilibrar ao longo do tempo pela própria política de câmbio flutuante. O ministério da Fazenda entende que, provavelmente, o governo deve adotar medidas para fortalecer o setor exportador, porque um saldo comercial mais robusto poderá melhorar o perfil de financiamento da conta corrente.  Nesse sentido, a reunião certamente passará pela discussão da nova política industrial, que será anunciada na próxima segunda-feira, no Rio de Janeiro. O governo relaciona importantes medidas de desoneração para estimular as exportações. Não existe intenção de inibir o movimento das importações, mas tentar garantir um aumento nas exportações. Ou seja, o problema não está no fato de o País estar importando muito, mas sim na menor velocidade de crescimento das exportações.Em relação ao investment grade, economistas do governo consideram que não se deve esperar, de imediato, uma enxurrada de dólares rumo ao mercado doméstico. "O investimento de longo prazo já está no País há algum tempo. O novo ingresso deve acontecer para o mercado financeiro e para o setor imobiliário", admitem fontes à Agência Estado.  Prevalece, nesse ponto, a avaliação do ministro Guido Mantega, de que o País já desfruta do grau de investimento há algum tempo, devido aos bons resultados dos indicadores econômicos. No entanto, o próprio ministro reconhece que uma análise mais criteriosa dependerá do comportamento das contas externas no mês de abril, inclusive para auferir o impacto da alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no ingresso de capitais para aplicações em renda fixa.  Meirelles e Mantega discutirão também os estudos para a criação do Fundo de Poupança Fiscal, o nome batizado pelo ministro da Fazenda para o fundo soberano brasileiro. A proposta de Mantega está praticamente formatada, mas ainda falta fechar uma questão importante: quem irá administrar esse fundo, se a Fazenda ou o Banco Central. O BC não é muito entusiasmado com a proposta porque teme influências indevidas na formação da taxa de câmbio. Por isso, no caso de criação do fundo, defende que a administração fique com a diretoria da autoridade monetária.

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