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Lula muda a diretoria da Petrobrás

Iniciativa visa a acomodar aliados políticos; Ildo Sauer, Nestor Cerveró e Guilherme Estrella devem sair

Kelly Lima, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2028 | 00h00

A mudança na diretoria da Petrobrás, que vinha sendo alvo de rumores desde fevereiro, deve se consolidar esta semana com a saída de ao menos três diretores. Está sendo preparada uma dança de cadeiras para acomodar na estatal nomes indicados pela base aliada do governo.Segundo uma fonte da estatal, devem deixar a empresa o diretor de Gás e Energia, Ildo Sauer, o diretor da área internacional, Nestor Cerveró, e o diretor de Exploração e Produção, Guilherme Estrella, este último por motivos pessoais. Segundo uma fonte do governo, em reunião convocada às pressas ontem pela manhã em Brasília com presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, o presidente Lula teria ''''batido o martelo'''' sobre os nomes dos substitutos. Uma reunião do Conselho de Administração da estatal deve ser convocada para a próxima sexta-feira para oficializar as mudanças.Para o lugar de Ildo Sauer deverá ser nomeada a atual presidente da BR Distribuidora, Maria das Graças Foster. Seu cargo, por sua vez, seria destinado ao ex-presidente da Petrobrás José Eduardo Dutra (PT), ex-senador por Sergipe e candidato derrotado ao governo do Estado nas últimas eleições. Para o cargo de Cerveró, o nome indicado é do PMDB mineiro, João Augusto Fernandes, que foi funcionário de carreira da Petrobrás, onde chegou a presidir a BR.A principal discussão estaria, no momento, em torno do nome do substituto de Estrella. Cotado para o cargo, o atual diretor de Abastecimento da empresa, Paulo Roberto Costa, ligado ao PP, não teria ''''gostado'''' da idéia, segundo uma fonte do setor, por considerar que a diretoria de Exploração e Produção é menos autônoma e mais dependente de Brasília.Além disso, segundo a fonte, Costa estava se sentindo pressionado a deixar o cargo. O mais cotado para substituí-lo era Alan Kardec, gerente executivo do setor, afilhado político do ministro das Relações Institucionais, Walfrido Mares Guia (PTB). Sexta-feira, Kardec foi destituído do cargo pelo próprio Costa, o que gerou um impasse.''''Na prática, criou-se um dilema: se Mares Guia quiser fazer valer seu poder de indicação, Kardec vai para a diretoria e Paulo Roberto cairia. Aí abre-se a brecha sobre quem colocar em Exploração e Produção'''', disse a fonte.Segundo essa mesma fonte, a decisão hoje está nas mãos da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Gabrielli, em entrevista coletiva ontem à tarde, deixou escapar essa pendência na decisão, ao responder sobre o assunto: ''''A decisão cabe à presidente do Conselho, que é a ministra Dilma.''''O que teria provocado a reunião entre Lula e Gabrielli, segundo a fonte do governo, seria o clima ''''insustentável'''' que a possibilidade da mudança de cadeiras estava gerando no alto escalão da empresa nos últimos meses. ''''O clima de tensão estava tão elevado que, na última reunião de diretoria, houve desentendimento entre Gabrielli e Sauer'''', relatou a fonte.Além das questões relativas ao gás natural, um dos motivos que teriam levado Sauer a se enfurecer teria sido o fato de, na prevista dança de cadeiras, teria sido designada a ele uma secretaria executiva de biocombustíveis, ainda a ser criada. ''''Ele não gostou de ser tratado com o que chamou de prêmio de consolação'''', disse a fonte.Outra possibilidade é a criação de uma secretaria executiva, com status de diretoria, na área internacional. A intenção seria controlar o poder do PMDB dentro da estatal.

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