Lula não deve discutir gás em Caracas

O governo brasileiro pretende conduzir em caráter técnico, e não político, a negociação com o governo boliviano em torno do preço do gás natural fornecido ao Brasil. Fonte do governo informou nesta terça-feira que, como a Petrobras é uma empresa listada em bolsa de valores, as negociações sobre o gás terão que ser feitas dentro dos termos definidos no contrato entre os dois países. Por conta disso, explicou a fonte, dificilmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutirá a questão do gás natural durante a reunião que terá em Caracas nesta terça-feira, para oficializar a entrada da Venezuela no Mercosul.Apesar da tentativa da boliviana de politizar a discussão do gás natural, a avaliação dos negociadores brasileiros, conforme a fonte, é de que já está havendo uma mudança no caráter da negociação pelo lado boliviano. Na semana passada, o governo de Evo Morales apresentou formalmente a solicitação para um reajuste extraordinário do preço do gás, o que é previsto nos termos do contrato. Pelo contrato, a proposta será negociada durante 45 dias. Se não houver acordo, o contrato prevê que os dois países poderão requerer arbitragem internacional.Argentina A fonte avaliou que o caso do reajuste aceito pelo governo argentino do gás comprado pela Bolívia não pode servir de parâmetro para as negociações com o Brasil. Isto porque a Argentina tem uma produção própria de cerca de 140 milhões de metros cúbicos diários de gás natural e importa apenas 5,5 milhões de metros cúbicos diários. Já o Brasil, importa cerca de metade do gás natural consumido.Além disso, os argentinos ainda exportam 15 milhões de metros cúbicos de gás para o Chile e para o Brasil (1,8 milhão de metros cúbicos diários), o que permite amortecer o impacto do aumento do gás comprado da Bolívia.

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