Lula não pressionou BC para reduzir compulsório, diz Palocci

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, negou nesta sexta-feira interferência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na decisão do Banco Central de reduzir o recolhimento compulsório sobre depósitos a vista. Ele afirmou que a redução é uma decisão de política monetária do BC. Ele negou também que tenha resistido em baixar a alíquota do IPI para os carros.Segundo o ministro, o BC decidiu baixar o compulsório com base em avaliação da convergência dos índices de inflação para a meta inflacionária e para o nível da atividade econômica. Palocci destacou que cada setor do governo toma medidas de acordo com sua competência, como é o caso do BC nas decisões sobre juros e compulsório.Palocci disse que a redução do compulsório foi "uma medida muito correta e bastante adequada", que produzirá efeito imediato sobre os juros bancários. Ele acredita que a decisão do BC indica que a diretoria da instituição tem tranquilidade em relação à convergência da inflação às metas definidas. "A queda do compulsório é uma medida eficiente, que se soma a outras medidas que estão sendo tomadas, indicando uma consolidação do equilíbrio econômico e da retomada do aquecimento da atividade."O ministro afirmou ainda que, nas próximas semanas, os bancos federais e algumas instituições privadas estarão iniciando as operações de microcrédito e que dentro de um prazo máximo de dez dias o governo consolidará uma legislação, que permitirá ao sistema financeiro firmar convênios com empresas para permitir a concessão de crédito a funcionários com desconto em folha de pagamento.Sobre o IPI, o ministro garantiu que foi uma decisão técnica, é um incentivo como tantos outros que o governo tem dado. Ele citou os incentivos os que são concedidos ao agronegócios.O ministro da Fazenda afirmou que não há um quadro generalizado de queda da atividade econômica no País. Segundo ele, o primeiro semestre foi de ajuste depois da crise do ano passado. Agora, afirmou, é preciso trabalhar para confirmar a melhora do quadro com uma pauta definida de trabalho e incentivos adequados.Ao ser questionado sobre análises da Confederação Nacional da Indústria (CNI), de que o Brasil vive um quadro recessivo e que seria necessária uma queda mais agressiva da taxa de juros, o ministro repetiu avaliações que tem feito nos últimos meses: a de que a economia brasileira tem alguns setores em condições melhores, como o exportador e de agronegócios, e outros mais afetados pela queda da atividade. Citou o vigor da balança comercial e os "dados extraordinários" do agronegócio.

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