Lula "não quer perder votos" com negociações, diz Bolívia

O Brasil atua como um "duro" negociador frente ao pedido da Bolívia para que eleve o preço do gás que importa, porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "não quer perder votos", segundo o ministro boliviano dos Hidrocarbonetos, Andrés Soliz Rada.Em entrevista coletiva, Soliz sustentou nesta segunda-feira que no pleito de outubro "o candidato Lula não quer perder votos por esta negociação e que a direita o acuse de ter atuado de forma branda", como no caso da nacionalização dos hidrocarbonetos ditada na Bolívia.Bolívia e Brasil começaram a negociar o novo preço do gás boliviano no último dia 29. Desde então, as duas partes têm 45 dias para chegarem a um acordo que evite o envio do caso ao julgamento de uma corte internacional, como estabelecido no contrato.No entanto, o ministro disse hoje que esse prazo pode ser ampliado. As conversas, que estão sendo realizadas pelas estatais Petrobras e Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB), continuarão na próxima quarta-feira em Santa Cruz de La Sierra.Soliz estimou que as negociações com o Brasil serão estendidas até o término das eleições presidenciais de outubro, para quando é aguardada uma maior "compreensão" por parte dos brasileiros envolvidos nas negociações para que aceitem o preço boliviano.O Brasil paga atualmente US$ 4 por milhão de BTU (Unidade Térmica Britânica), considerado pouco pela Bolívia frente aos US$ 7,5 que seriam gastos no Estado de São Paulo caso a região não pudesse contar mais com o gás boliviano para sua indústria. Segundo o ministro boliviano, o Brasil deve aceitar um aumento do preço porque utiliza esse carburante com fins industriais, ao contrário da Argentina, que o destina a consumos domésticos e que já aceitou gastar US$ 5 por milhão de BTU.Soliz também assegurou que o governo brasileiro está em "campanha" quando fala de possíveis compras de gás venezuelano mais barato, que o País pode ser auto-suficiente em hidrocarbonetos em 2008 e que será "a maior potência energética do mundo em 2030".Essas "são as cartas utilizadas pelos negociadores, um pouco para desmoralizar o adversário", apontou Soliz, que depois assegurou que o governo boliviano terá a seu lado a importância de propor uma nova fórmula de cálculo dos preços, com duração até 2019.Fontes da Chancelaria descartaram que esta semana o presidente Lula visite o presidente boliviano Evo Morales para falar sobre o gás, como foi veiculado por fontes diplomáticas brasileiras. Por outro lado, o presidente brasileiro aceitou o convite de Morales para assistir à inauguração da Assembléia Constituinte na Bolívia, no próximo dia 6.

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