Lula: não sei quando inflação ficará abaixo de 6,5%

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista coletiva à imprensa na residência do embaixador brasileiro na capital portuguesa, Celso de Souza, declarou que não é possível saber se a elevação da Selic, taxa básica de juros, em 0,75 ponto porcentual fará ou não com que a inflação caia para baixo do teto (6,5%) da meta ainda em 2008. "Eu não sei quando vai ficar abaixo do teto. O que sei é que a inflação não vai voltar", afirmou o presidente, respondendo a uma pergunta sobre a recente decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que elevou a Selic para 13% ao ano. Lula voltou a afirmar que o governo tomará "todas as medidas" para evitar o crescimento da inflação. "Graças a Deus, o Brasil é o país em que menos tem crescido a inflação, entre os emergentes."A um repórter que lhe perguntou se o governo fará cortes de gastos para reforçar o controle da inflação, o presidente respondeu: "Nós não temos mais o que cortar de gastos do governo. Fizemos os ajustes que deveríamos ter feito." E passou a falar do Fundo Soberano do Brasil: "Fizemos um fundo soberano que é uma mistura de fundo soberano com superávit primário. Aumentamos em 0,5 ponto o superávit primário (para 4,3% do PIB). As medidas estão sendo tomadas. Obviamente, não é possível um governo ficar anunciando com antecipação o que vai fazer amanhã, depois de amanhã e no mês que vem. A única coisa que posso afirmar é que a inflação não voltará." BCLula defendeu a autonomia do Banco Central para definir a Selic. O presidente evitou endossar a tese do vice-presidente da República, José Alencar, de que o Copom, com esse aumento de 0,75 ponto porcentual, teria exagerado na dose. "O BC está lá para fazer a política monetária. Se a diretoria (do BC) entender que deve tomar essa medida..., poderia ter sido menos, poderia ter sido mais... O que nós queremos é que a posição assumida pelo BC cause os efeitos que deve causar na economia brasileira."Em seguida, Lula voltou a enaltecer o fato de que grandes investimentos estão sendo feitos na economia brasileira - em novas siderúrgicas, ferrovias, indústria automobilística, construção de usinas hidrelétricas. "Se acontecer o que estou imaginando que pode acontecer", disse, "será o melhor dos mundos: a economia crescendo e a inflação controlada."CrescimentoLula admitiu, porém, que essa política de alta nos juros pode reduzir o crescimento econômico. "O objetivo do BC quando aumenta os juros", comentou, "é diminuir a demanda." E acrescentou: "Precisamos agora fazer com que a oferta cresça. Estamos tentando fazer essa combinação, ao mesmo tempo em que a gente precisa dizer para a sociedade brasileira que o consumo não pode ser infinitamente superior à capacidade de oferta do País. Precisamos fazer com que a oferta cresça."

LEONENCIO NOSSA, ENVIADO ESPECIAL, E JAIR RATTNER, Agencia Estado

25 de julho de 2008 | 17h20

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