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Lula nega interferência no Copom e diz que confia em Meirelles

Declaração do presidente aconteceu antes da definição da taxa básica de juro, definida em 9,25% pelo comitê

Agência Estado,

10 de junho de 2009 | 20h09

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou nesta quarta-feira, 10, sua confiança no trabalho do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e negou qualquer interferência no Comitê de Política Monetária (Copom) para a definição da taxa básica de juros. 

 

A declaração do presidente aconteceu antes da decisão do Copom de  cortar a taxa básica de juros, a Selic, em 1 ponto porcentual, para 9,25% ao ano, sem viés. Esta é a primeira vez desde sua criação, em 1986, que a taxa é de apenas um dígito.

 

Em entrevista exclusiva à Agência Reuters, disponível no site da Presidência da República, Lula contou que conversa muito com Meirelles sobre política monetária. "O que há é uma relação de respeito e de entendimento de que, na hora em que eles (os diretores do Banco Central) tomam uma decisão, eles precisam ficar confortáveis e não perder a seriedade junto à opinião pública. Porque, se ele (Meirelles) fizer tudo o que eu quero fazer... Pode até fazer, pode até ser bonito, mas, na hora em que o Banco Central perder credibilidade no mercado, e ninguém acreditar mais nele, será pior para o Brasil", afirmou o presidente.

 

Na avaliação de Lula, "manter a inflação controlada" é "o principal de tudo" para garantir a estabilidade econômica do País. "E isso está acontecendo", completou.

 

Na entrevista, Lula negou interferência nas decisões sobre política monetária: "Eu acho que o Banco Central tem que fazer as coisas que precisam ser feitas, no momento certo. Não tem que ficar atendendo apelos eminentemente políticos." E prosseguiu: " As pessoas sabem que nós fazemos as coisas que tem que fazer, independentemente da temperatura política. Eu não trabalho em função de eleição, não trabalho."

 

Lula disse que o Banco Central, até agora, acertou na condução da política monetária para o País. "Até agora, acertou; até agora, acertou; até agora, as coisas deram certo. É por isso que nós temos orgulho - e eu sinto muito orgulho - de perceber que o Brasil hoje é muito mais respeitado no mundo", afirmou.

 

O presidente evitou comentar se há espaço para redução dos juros até o final do ano. "E aí não dou palpite e não quero que o número seja político nunca. Eu quero que o número seja eminentemente em função da necessidade da estabilização da nossa política econômica, da nossa política monetária", definiu. E deu a sua definição sobre a política de juros: "É como se você estivesse fazendo um exame no coração. Você tem que acompanhar e ir fazendo as coisas de acordo com as necessidades".

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