Lula negocia com Suécia corte de imposto sobre etanol

Ele disse ainda que o governo trabalha para não haver superaquecimento da economia do País

Reuters e BBC Brasil,

11 de setembro de 2007 | 14h56

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira estar convencido de que os negociadores da rodada de Doha podem chegar a um acordo de livre comércio, mesmo que não seja o ideal, e afirmou que o Brasil e a Suécia querem estimular a União Européia a abolir taxas de importação do etanol. A Suécia anunciou uma proposta de abolir uma sobretaxa de importação do etanol brasileiro até 2009. A eliminação da taxa, equivalente a US$ 0,75 e US$ 1,50 por litro adotada em 2006, depende de aprovação da Comissão Européia, disse um representante do governo sueco.  Na primeira visita de um chefe de Estado brasileiro à Suécia, Lula afirmou também que o governo está trabalhando para ter certeza de que não haverá superaquecimento da economia do país. Em coletiva de imprensa na capital sueca, escala da visita pelos países nórdicos, Lula disse que o governo quer assegurar que a economia brasileira continue a crescer "tranquilamente" e a se desenvolver bem, como tem acontecido. "Nós estaremos trabalhando para que não haja superaquecimento da economia. Nós não queremos isso, mas também não queremos esfriá-la", disse Lula, reafirmando a necessidade de cuidados com as pressões inflacionárias.  A economia brasileira está aquecida pelo crescimento do emprego e melhores salários, que têm levado a um aumento do consumo. Semana passada, Lula advertiu que o esforço pelo crescimento não significa que o Brasil possa "baixar a guarda" contra a inflação. O crescimento do Brasil tem sido mais fraco que o dos outros BRICs - Rússia, Índia e China.  Os dados mais recentes apontam crescimento anualizado de 11,9% na China e de 9,3% na Índia. Já a Rússia cresceu 7,8% no segundo trimestre frente a igual período do ano passado. O Brasil divulga o PIB do segundo trimestre na quarta-feira. Analistas ouvidos pela Reuters estimam expansão trimestral de 5,8% em relação a 2006.  Etanol A sobretaxa sueca ao etanol do Brasil foi introduzida no ano passado como forma de proteger a indústria doméstica. Trata-se de uma taxa adicional às tarifas impostas pela União Européia ao produto brasileiro, que chegam a 55%. Como país membro da União Européia, a Suécia está atrelada ao bloco e, portanto, é impedida de tomar a decisão unilateral de abolir as barreiras tarifárias adotadas pela Europa como um todo. O presidente Lula ressaltou que a decisão da Suécia, que representa uma barreira a menos às importações de etanol do Brasil, é um passo importante para a adoção da tarifa zero. "Trabalho com a esperança de que, na medida em que todos nós defendemos um comércio livre, o etanol não seja taxado. A decisão da Suécia é extremamente gratificante para o Brasil e para outros países, e espero que seja um passo seguido pela UE como um todo e por outros países. Acredito que mais dia, menos dia, reduziremos a tarifa à zero na importação do etanol", disse o presidente. Ele disse que o governo está empenhado na criação de um "certificado social" para a produção de etanol no Brasil. O objetivo é oferecer garantias aos consumidores do etanol em países estrangeiros sobre as condições dos trabalhadores do setor no Brasil. "Depois do zoneamento agrícola que teremos que fazer, uma segunda coisa extremamente importante vai ser criar um certificado social que possa garantir que quem estiver comprando no Brasil ou no exterior, está comprando o resultado de um trabalhador registrado em carteira, com emprego formal tendo seus direitos inteiramente respeitados. Para isso fizemos nestes últimos dias reuniões com os trabalhadores e com os empresários."

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