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Lula oferece transferência de energia elétrica a Argentina

Solução seria alternativa ao impasse do gás comprado da Bolívia; presidente se reuniu com Morales e Cristina

Tânia Monteiro, de O Estado de S. Paulo,

23 de fevereiro de 2008 | 13h40

Depois de reiterar que não abrirá mão de nenhuma parte do gás comprado da Bolívia, o governo brasileiro ofereceu como alternativa à Argentina a transferência de energia elétrica.    Veja também: Lula, Morales e Cristina se reúnem para negociar impasse do gás Lula defende solução energética conjunta para a região   Em reunião realizada neste sábado, 23, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou à presidente Cristina Kirchner uma proposta de repasse de energia brasileira nos meses de inverno, quando a Argentina corre risco de desabastecimento por causa do aumento da demanda por eletricidade destinada ao aquecimento das residências e comércio. Também participou da reunião o presidente da Bolívia, Evo Morales.   A preocupação de Lula é não criar mal-estar com a Argentina por causa da recusa em repassar gás boliviano ao país. Por isso, o governo brasileiro adotou o discurso de que não tem condições de abrir mão do gás, pois necessita dos 30 milhões de metros cúbicos importados diariamente da Bolívia. Em compensação, repassaria energia elétrica para a Argentina, de forma a não deixar o país vizinho desabastecido.   Em entrevista neste sábado, 23, ao jornal argentino Clarín, Evo Morales reiterou que não conseguirá atender as demandas de Brasil e Argentina e defendeu a redistribuição das cotas do gás vendido aos dois países. A idéia não agrada ao governo brasileiro.   Morales disse que o problema da falta de gás é de conjuntura e que investimentos de US$ 1,5 bilhão em exploração e produção de gás permitirão aumentar a oferta e atender à demanda dos dois países.   Na última sexta-feira, 22, o presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, disse que o Brasil "precisa de cada molécula" do gás boliviano. "A solução seria redistribuir o volume enviado para Brasil e Argentina", disse Morales ao Clarín.   Aumento da demanda causa impasse   O acordo firmado em 2006 entre Morales e o então presidente Nestor Kirchner previa o envio de 7,7 milhões de metros cúbicos de gás por dia da Bolívia para a Argentina. No entanto, o fornecimento ao Brasil e o aumento da demanda interna boliviana, não permitirão o cumprimento do acordo e há risco de que sejam repassados apenas 2 milhões de metros cúbicos diários à Argentina.   Além dos presidentes, ministros e outras autoridades dos três países participaram do encontro. O presidente Lula estava acompanhado do assessor especial Marco Aurélio Garcia, da diretora de Gás e Energia da Petrobrás, Maria da Graça Forster, e dos embaixadores brasileiros na Argentina, Mauro Vieira, e na Bolívia, Frederico Araújo.   A disposição do governo brasileiro era propor a formação de um Grupo de Trabalho para buscar formas de resolver o problema do abastecimento de gás.   A reunião entre Lula, Cristina e Evo Morales, que estava prevista para começar às 10 horas, teve início apenas ao meio-dia, no horário de Buenos Aires, com a chegada do presidente boliviano.   Lula chegou no horário marcado à Residência Oficial de Olivos e, juntamente com seus assessores, mais o presidente da Petrobrás e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, aguardaram a chegada de Evo. Assim que Evo desembarcou, Cristina e Lula o receberam nos jardins da Residência de Olivos e tiraram fotos apertando as mãos.

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