Lula: País revive otimismo da era JK

Em discurso durante festa da Bayer, presidente exalta momento econômico e diz que inflação está sob controle

Alexandre Rodrigues, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que os bons resultados da economia elevaram a auto-estima dos brasileiros e voltou a comparar seu governo com o do ex-presidente Juscelino Kubitschek. Ao participar da festa de 50 anos de uma unidade da Bayer em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, inaugurada por JK em 1958, Lula afirmou que repete a atmosfera de otimismo "dos anos dourados". Discursou mantendo o tom, como se a preocupação com um virtual retorno inflacionário não estivesse na agenda do governo."Ao contrário de 1958, apesar da crise mundial, temos a inflação sob controle, somos credores internacionais e conquistamos o cobiçado grau de investimento", disse Lula, que lembrou o apelido "bossa nova" de JK. "Quis o destino que, 50 anos depois, o Brasil esteja vivendo outro momento muito bom, de otimismo. Depois de décadas de estagnação econômica e forte concentração de renda, o País cresce de forma acelerada. E cresce para todos, reduzindo desigualdades sociais e regionais históricas", discursou. O presidente afirmou que a unidade da multinacional, que produz defensivos agrícolas na Baixada, só vendeu 25% a mais no ano passado graças ao crescimento do agronegócio e da agricultura familiar. Lula afirmou que o setor agrícola crescerá "como nunca" nos próximos anos. "Neste momento em que o mundo enfrenta uma crise de alimentos e a segurança alimentar das nações mais pobres se encontra sob risco, nós brasileiros só temos uma resposta a dar: produzir mais, muito mais. E vamos fazê-lo", prometeu. Seguindo a linha do discurso do ministro da Indústria e Desenvolvimento, Miguel Jorge, Lula traçou um cenário positivo da economia, citando o crescimento da produção industrial e comercial, a geração de empregos formais e o aumento da renda e do crédito. O presidente disse que seu governo investe "fortemente" em educação, saúde e infra-estrutura "em busca do tempo perdido". Para ele, a construção civil "nunca teve tanto crédito" e seu crescimento, junto com o da indústria automobilística, aumentará a demanda por matérias-primas químicas, como as produzidas pela Bayer. "As vendas de aspirina é que podem não subir muito. Porque o brasileiro agora tem mais saúde, tem mais emprego, melhores salários e mais qualidade de vida. Com isso, certamente não terá tanta dor de cabeça como tinha antes", brincou Lula com o presidente mundial da Bayer, Werner Wenning. O executivo agradou ao presidente, citando o sucesso de jogadores de futebol brasileiros na Alemanha.Lula foi presenteado com uma bola de futebol produzida com matérias-primas da companhia, adotada na Eurocopa. Ele recebeu o presente das mãos de jovens da escolinha de futebol mantida pela empresa em Belford Roxo.

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