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Lula pede ação de países ricos contra a crise e fim do G-8

Presidente diz que grupo dos desenvolvidos não tem 'mais razão de ser' e propõe G-20 em seu lugar

Tânia Monteiro, da Agência Estado,

15 de novembro de 2008 | 13h27

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse neste sábado, 15, na reunião do G-20, convocada para tentar encontrar saídas para a crise financeira que se espalhou pelo mundo, que a melhor solução para evitar que a crise se alastre, são os países ricos resolverem seus problemas. "É a primeira vez que os problemas estão nos países ricos e não nos pobres. Não adianta ficar procurando medidas paliativas se não resolver o problema crônico da política americana e da política econômica européia", afirmou Lula. O presidente disse ainda que o G-8 "não tem mais razão de ser" e defendeu maior participação dos emergentes.   Pouco antes de seguir para reunião na Casa Branca, o presidente explicou a necessidade de o G-20 ter uma "regulação séria" e se transformar em um verdadeiro foro político. "O G-8 não tem mais razão de ser porque é preciso levar em conta as economias emergentes no mundo globalizado", comentou Lula, acrescentando que, "se todos os presidentes estiverem de acordo com isso, a crise será debelada com mais rapidez".   Veja também: G-20 anunciará 50 medidas para evitar novas crises financeiras Barack Obama pede 'ações imediatas' do Congresso contra crise Manifestantes se reúnem na Indonésia contra o G-20 Ativistas protestam contra o G-20 em Washington Entenda o que está em jogo na reunião do G20 Como foi a reunião do G-20 no Brasil De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise    Para Lula, se medidas não forem tomadas, como o nosso país está tomando, "a crise pode se aprofundar ainda mais e chegar a todos os países", inclusive no Brasil. Ele salientou ainda que é preciso que os países ricos "tratem de fazer" com que os recursos que já injetaram na economia, "cheguem na ponta para que o mercado financeiro volte a funcionar com uma certa normalidade", porque "do US$ 1,5 trilhão que os Estados Unidos injetaram na economia, apenas US$ 250 bilhões foram repassados".   Lula reconheceu que a situação norte-americana "é delicadíssima", até porque o momento é de transição, mas insistiu que o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anfitrião do encontro, "tem de assumir a responsabilidade de que ele é o presidente até dia 20 de janeiro e que não pode ter vacilações nesta questão do tratamento da crise". Bush, em entrevista na sexta-feira, insistiu na sua resistência de regular o mercado.   Brasil   O presidente lembrou que "todas as medidas que o BC e o Ministério da Fazenda têm tomado são no sentido de fazer com que o mercado interno supra parte desta deficiência que vai ter no mercado externo, como a crise nos Estados Unidos e na União Européia".   Ele lembrou ainda a necessidade de restabelecer a representatividade e a legitimidade das instituições financeiras multilaterais. "Precisamos de mais produção, mais emprego e mais inclusão social", pregou Lula, diante de uma platéia de presidentes na Casa Branca, em Washington, depois de salientar que o Brasil não vai abdicar de crescer e, para isso, manterá os investimentos previstos no PAC.   Lula, que insistiu no discurso da necessidade de regulamentação dos mercados, disse ainda que é essencial a reativação dos setores produtivos, para que se mantenham os empregos e a economia em movimento. O presidente lembrou ainda que a receita brasileira para combater a crise internamente é expandir o mercado interno.   O presidente comentou também, que, no jantar de sexta-feira com todos os países do G-20, na Casa Branca, ao falar com Bush sobre a necessidade de regulamentação do mercado, insistiu que não é possível que se ganhe dinheiro, sem trabalho. "Eu disse ao Bush que, quando eu era metalúrgico, para conseguir comprar uma TV, eu tinha de fazer 40 ou 60 horas extras por mês. Eu tinha de me matar de trabalhar. Não é justo que alguém fique bilionário, sem produzir uma única folha de papel, um único emprego, sem pagar um único salário", narrou Lula.   Emergentes 'farão sua parte'   Ao salientar que os países emergentes vão continuar a fazer a sua parte, crescendo e gerando os empregos, Lula acrescentou que "o que pode acontecer de pior é que uma crise que começou por conta da especulação, venha causar problemas sérios no setor de produção dos países que tanto precisem crescer".   O presidente observou que a economia poderá não mais crescer nos patamares que o governo desejava, mas está adotando políticas para que o crescimento não pare.   "No Brasil, depois do sacrifício que fizemos, para manter a economia estável, não vamos abdicar de fazer o Brasil crescer", declarou Lula. "Todas as medidas que o BC e o Ministério da Fazenda tem tomado são no sentido de fazer com que o mercado interno supra parte desta deficiência que vai ter no mercado externo", disse.   De acordo com Lula, o PAC tem um papel fundamental nesse processo. "Nos poderemos facilitar que o povo brasileiro tenha acesso a esses bens que ele não tem. Por isso nos vamos manter todo o investimento do PAC e trabalhando para facilitar a irrigação do sistema financeiro", comentou. E emendou: "nos temos muito que fazer no Brasil e nós não vamos parar de fazer os investimentos previstos porque a economia brasileira não pode deixar de crescer".   Recepção   Na chegada para a cúpula, presidente foi saudado por um sonoro "Lula" pelo presidente dos Estados Unidos ao ser recepcionado para a fotografia do aperto de mãos na chegada para o encontro sobre mercados financeiros e economia mundial. Outro presidente saudado por Bush por apelido ou primeiro nome foi o francês Nicolas Sarkozy, a quem o presidente norte-americano chamou de "Nick". O presidente brasileiro foi o último líder a ser recepcionado para a cúpula. Além de chefes de Estado e de governo, estavam presentes os dirigentes de organizações multilaterais: o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon. Os participantes da cúpula integraram duas sessões plenárias que foram fechadas para a imprensa.   Reunião 'histórica'   Lula considerou a reunião "histórica". "Senti uma maturidade nessa reunião que há muito tempo eu não via", disse. "Saio daqui satisfeito e otimista". Na avaliação do presidente brasileiro, a razão dessa mudança foi a crise. "A gente percebe que as pessoas tomaram chá de humildade".   Depois de se reunir com o presidente da China, Hu Jintao, Lula embarcou na noite deste sábado na base aérea de Andrews para sua viagem de retorno ao Brasil. O presidente chegou quinta à noite, passou os dois últimos dias em Washington em intensas negociações, defendendo a regulamentação dos mercados.   O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, que embarcaria com o presidente Lula, ficou em Washington para, às 18h30 (21h30 no horário de Brasília) se reunir com Madeleine Albright, uma das principais interlocutoras do presidente eleito Barack Obama. A data prevista para o desembarque, em São Paulo, é 6h30 de domingo.   (Com BBC Brasil)   (Matéria às 21h05)  

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