Lula pede aceitação das diferenças no Mercosul

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira tratamento diferenciado aos países mais pobres do Mercosul e cobrou "coragem e competência política" dos líderes sul-americanos para assegurar o sucesso da integração regional."Não resolvemos todos os problemas, assimetrias entre países, desigualdades muito fortes", disse Lula no discurso de abertura do Fórum Consultivo de Municípios, Estados, Províncias e Departamentos do Mercosul."A minha tese é que os países mais fortes têm que ser sempre mais generosos e ter políticas para ajudar os mais pobres. Foi assim que a União Européia conseguiu ajudar no desenvolvimento da Espanha, de Portugal e Grécia."O bloco --formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela, e que tem como países associados Bolívia, Chile, Equador, Peru e Colômbia-- passa por um momento de divergências entre alguns membros e enfrenta cobranças dos países menores para reduzir as assimetrias.O Brasil propôs este mês condições diferenciadas na aplicação da Tarifa Externa Comum (TEC) para importações que passem por Paraguai e Uruguai. A Bolívia também pretende tratamento especial no caso da TEC para tornar-se membro pleno do Mercosul, embora a Argentina tenha se posicionado contrariamente, segundo o jornal O Estado de S.Paulo."(A integração) é um desafio gigantesco que exige despojamento de interesses pessoais e nacionais para repartir algo com alguém que talvez precise um pouco mais que nós", argumentou Lula."A integração depende só de nós, não depende dos EUA, Europa, Japão e China. Depende da nossa coragem e competência política", afirmou.Paraguai e Uruguai, afetados pelas assimetrias no grupo, pressionam para obter autorização para subscrever acordos comerciais com países estrangeiros, insinuando eventual saída do bloco."Dizem que é melhor fazer um acordo com os Estados Unidos do que com o Brasil. No imediato, pode até ser, mas este continente já teve muitas experiências e decepções", comentou o presidente brasileiro.Argentina e Uruguai também estão em litígio em torno da construção de uma fábrica de celulose, caso que foi levado à Corte Internacional de Haia."Não existe problemas de isolamento com nenhum país... Os governantes é que precisam evoluir para compreender que muitas vezes temos que atender ao interesse de um outro país em vez de querer apenas que os nossos desejos sejam atendidos", ponderou Lula.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.