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Lula pede ações práticas ao G-20

?Não podemos sair com as mãos abanando?, disse o presidente brasileiro a primeiros-ministros de outros países

Tânia Monteiro e Nalu Fernandes, O Estadao de S.Paulo

14 de novembro de 2008 | 00h00

Preocupado com o insucesso anunciado da reunião do G-20, hoje, na capital americana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a politização do grupo, que reúne países industrializados e em desenvolvimento responsáveis por 90% do Produto Interno Bruto (PIB) e 80% do comércio mundiais, para que sejam apresentadas medidas "rápidas" de forma a "não permitir que a crise se instale". "Nós não podemos sair deste G-20 com as mãos abanando", advertiu Lula, na tarde de ontem, durante as reuniões realizadas com os primeiros-ministros do Reino Unido, do Japão e da Austrália, conforme relato do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo o ministro "se nós não tomarmos medidas rápidas, poderemos ter o risco de cair numa depressão econômica". Ao comentar o agravamento da crise no mundo e necessidade de políticas mundiais "sintonizadas", Mantega alertou que "não se fala mais só em recessão econômica". "Já se fala em depressão." Segundo ele, "a recessão econômica está dada". "Vai haver recessão em vários países. O risco, porém, é você deixar as coisas caminharem, e elas caminham muito rapidamente hoje em dia, e elas caminharem para uma depressão, conforme tivemos no passado." Mantega assegurou, no entanto, que, quando fala em risco de depressão e recessão, não está se referindo ao Brasil, lembrando que os indicadores do País são sólidos e o crescimento será positivo. "No caso brasileiro, não há risco de recessão", afirmou. Ele listou várias medidas já adotadas e avisou que novas poderão ser anunciadas, se houver necessidade.Segundo projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), o Brasil vai crescer 3% em 2009, acima da expansão projetada para a economia mundial, de 2,2%. As economias avançadas terão PIB negativo, no ano que vem, segundo o fundo.Na entrevista, Mantega disse que grupos de trabalho técnicos serão formados para discutir medidas de regulamentação do sistema financeiro. A idéia é de que esses grupos apresentem resultados no início do ano que vem. Uma nova reunião do G-20 deve ser realizada, em fevereiro ou em março de 2009, certamente no Reino Unido, já que este país assume a presidência do grupo, contando também com o novo presidente americano, Barack Obama. A formação dos grupos de trabalho com objetivos definidos está sendo considerada um resultado prático da reunião de hoje do G-20. Mantega disse que todos os países do grupo admitem a necessidade de regulamentação do sistema financeiro, mas há divergências sobre o tipo de regulação. Mantega disse que a ausência de Obama não esvaziará o encontro do G-20. Ele lembrou que Madeleine Albright, que integra a equipe de transição do novo governo, estará presente na reunião deste sábado e falou das expectativas em relação à nova administração. "O que se espera do governo Obama é que ele vá mais fundo, pela característica e pela proposta que fez no período eleitoral", declarou. Ele observou ainda que, pelos indicados para os cargos da equipe econômica, a idéia é que, assim que ele assumir, "seja anunciado um pacote, com um programa de medidas anticíclicas, mais robusto, para não frustrar o eleitorado que o levou ao poder".Esta será a terceira reunião do G-20 em um mês. A primeira foi de emergência, durante encontro anual do FMI, em outubro. A segunda foi na semana passada, em São Paulo, e a terceira, hoje.Segundo Mantega, as respostas dadas à atual crise são "diferentes das que foram dadas nos anos 30, quando os países demoraram para tomar atitude", o que culminou na Grande Depressão. Para ele, o fantasma da depressão "está muito presente", o que exige trabalho conjunto dos países.

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